Entrevista com Fábio Aristimunho Vargas. Poemas de Andréa Catrópa, Celso Borges e Hélio Neri. Poemas traduzidos de Enrique Winter (Chile) e Martín Barea Mattos (Uruguai). Poesia visual: Marcelo Sahea. Acessível aqui.
ENTREVISTA
Fábio Aristimunho Vargas
Quinquelíngue
Poeta, tradutor e advogado, Fábio Aristimunho Vargas lançou recentemente a coleção Poesias de Espanha (Hedra, 2009) com 4 volumes, dos quais a coletênea Poesia catalã foi premiada pelo Institut Ramon Llull, de Barcelona.
Nesta entrevista, ele fala do seu trabalho de tradutor, do período em que atuou na Academia de Letras da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e dos próximos livros que está preparando.
Em abril de 2009, você lançou a coleção Poesias de Espanha, uma antologia de fôlego que abrange um largo período histórico e inclui as quatro línguas oficiais espanholas. Quando você teve seu primeiro contato com a literatura espanhola? Já havia alguma referência desde a infância ou isso só aconteceu muito posteriormente?
A Coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil é resultado de dois anos de trabalho árduo, mais alguns meses de infindáveis revisões e editoração. Em alguns momentos tive a impressão de que não terminaria nunca a antologia e acabaria abandonando o projeto pelo caminho. Mas, felizmente, consegui manter um ritmo de trabalho bastante intenso para poder lançar os quatro volumes da coleção – Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca – a tempo do aniversário dos 70 anos da Guerra Civil Espanhola, em abril de 2009. Dos quatro idiomas da coleção, a minha primeira referência é a língua castelhana, que trago da minha infância em Foz do Iguaçu, no Paraná, minha cidade de origem e onde hoje moro novamente. Na Tríplice Fronteira o mundo hispânico é algo tão próximo quanto o seu vizinho e os colegas de colégio ou de trabalho. Sem falar que o meu pai era hispanofalante, apesar de ele falar apenas português em casa. Quando estive na Espanha, em 2002, para um curso de pós-graduação, tive o meu primeiro contato com as outras línguas do país, de cuja existência eu tinha conhecimento mas me surpreendi com sua vivacidade, sobretudo com a onipresença do catalão nas ruas de Barcelona e com a persistência do euskara no País Basco. Retornando a São Paulo, onde morava na época, comecei a estudar catalão e basco, a convite de amigos próximos, e mais tarde o galego. E como escritor, naturalmente era sempre a literatura dessas línguas o meu ponto de apoio, que eu lia conforme estudava o idioma.
Durante o processo de organização da antologia, além do período histórico, quais foram os outros critérios para a seleção dos poemas?
Numa antologia as escolhas e as renúncias são sempre arbitrárias. Procurei o mais possível estabelecer um critério objetivo de seleção, como por exemplo eleger os autores mais importantes de cada período literário, refletindo em número de autores a importância de cada período literário e o prestígio de cada autor no número de seus poemas – quanto mais fundamental o autor, mais poemas seus foram incluídos na antologia. Mas qual ou quais poemas selecionar de cada um desses autores? É nesse momento que impera a subjetividade e a seleção acaba se norteando pelos gostos do organizador, o que é algo inevitável. Ainda assim procurei manter um certo equilíbrio temático e de tons, sem nenhum tipo de preconceito literário. Na antologia é possível encontrar poemas jocosos, metalinguísticos, populares, eruditos, políticos, religiosos, epistolares, ideológicos, distribuídos de maneira aleatória e equilibrada por toda a coletânea.
Após ler as traduções (ou transcriações, como preferir), fica evidente o cuidado e o rigor que você dedicou ao trabalho. Um bom exemplo disso é o poema basco “O marinheiro” de Betiri Olhondo. Gostaria que você falasse um pouco sobre a carpintaria das traduções. Os poemas bascos chegaram a dar insônia, ou estou enganado?
Sou muito preocupado em reproduzir ou recriar os aspectos formais dos poemas, na melhor linha de certa tradição brasileira de “transcriação” de poesia. Em muitos poemas a rima e a métrica me vêm com naturalidade na tradução, mas em vários outros resultam de um verdadeiro parto, ante a dificuldade de se respeitar a forma do poema original. Tenho uma satisfação especial pelo resultado da tradução do poema basco “O marinheiro”, de Betiri Olhondo, mas também de poemas como “Vivo sem viver em mim”, de Santa Teresa de Ávila, “Prisioneiro”, de Jordi de Sant Jordi, “A vaca cega”, de Joan Maragall, e das cantigas galego-portuguesas, neste último caso apresentadas como releituras modernas dos originais medievais. De fato as traduções do basco foram as mais complicadas, por uma série de motivos. Por não se tratar de uma língua neolatina e por ter uma sonoridade muito peculiar, o ritmo dos poemas não é facilmente transposto na tradução, restando ao tradutor criar um ritmo totalmente novo para cada poema. A tradução nesse caso é uma versificação totalmente nova, em que se aproveita não mais do que a ideia do original. Eu me orgulho de alguns momentos em que consegui reproduzir algo da sonoridade do verso original, em passagens como “à beira da estrada carreteira pouco transitada”, de Xabier Lizardi, e “não buscamos baleia, apenas nova ideia”, de Lauaxeta, mas reconheço que foram poucos os momentos em que as assonâncias e sobretudo as aliterações conseguiram passar pela peneira do idioma. Por outro lado, foi na antologia da poesia basca em que mais abusei das traduções em versos brancos, algo que ainda assim se justifica: dada a dificuldade para decifrar o sentido do original, em muitos casos não me sentia à vontade para “trair” o texto em busca da melhor rima, preferindo recriar a sonoridade com outros recursos rítmicos.
Como foi feita a pesquisa para a elaboração das notas finais, incluindo o quadro sinótico e o guia das ortografias?
A pesquisa para as notas foi feita como em qualquer trabalho monográfico: investigação em acervos físicos e eletrônicos, fichamentos, levantamentos bibliográficos etc. Para isso acionei bibliotecas estrangeiras, sobretudo espanholas, e as bibliotecas particulares dos amigos, que gentilmente me emprestaram livros sem prazo para devolução. Também comprei muitas obras, na maior parte com preços em euro, que pesaram no meu bolso. Nas notas incluo não só informações objetivas sobre a vida e a obra dos autores, mas também alguns comentários sobre sua poética particular e sobre questões pontuais do trabalho de tradução. Uma curiosidade é que a antologia da poesia basca é baseada na minha monografia “Panorama histórico de la poesía vasca: una mirada lusohablante”, que elaborei para obtenção do título de Especialista em Estudos Bascos, pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco, sob orientação do Prof. Jon Kortazar, um grande crítico da literatura basca. Já o Quadro sinótico, que compara cronologicamente os períodos literários das quatro literaturas, é fruto das minhas reflexões sobre o tema e embasa algumas das conclusões a que cheguei a respeito da relação que há entre literaturas ao mesmo tempo tão próximas e tão distantes, conforme exponho na Apresentação dos volumes. O Guia das ortografias é um estudo gentilmente elaborado e cedido pelo revisor da antologia, o Prof. Miguel Afonso Linhares, de Roraima, que acompanhou de perto e desde cedo colaborou com o desenvolvimento do projeto Poesias de Espanha.
No período em que morou em São Paulo, você estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e participou das atividades da Academia de Letras que existe na Faculdade. Como foi essa passagem pela Academia de Letras e o seu trabalho na edição da revista FNX?
A Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo, fundada em 1932, foi uma verdadeira escola para mim, um período valioso de aprendizado. De lá trouxe muita experiência de editoração e vivência literária, e sobretudo os amigos que permaneceram para além do quinquênio da faculdade. Por muito tempo fiz parte do conselho editorial da Revista Phoenix, que em seu número XIX, de 2005, mudou seu nome para FNX. Com a revista aprendi muito sobre organização e editoração de obras literárias, um conhecimento fundamental para mim hoje em dia. Eis o blog da Academia de Letras.
Por falar na revista FNX, afinal de contas, quem é Wallace O’Brian?
Wallace O’Brian é um heterônimo e personagem coletivo, criado pelo pessoal da Academia de Letras para personificar tudo o que considerávamos ruim em poesia. Seus versos são em regra derramados e excessivamente líricos, tratando de temas anacrônicos como cavalaria, os deuses greco-romanos, a tradição céltica. E sempre eram inseridas frases com duplo-sentido aparentemente acidental. Em 2004, a revista Phoenix (FNX) trouxe um dossiê revelando a gênese de Wallace O’Brian, até então secreta e envolta em mistérios, além de uma coletânea de seus poemas. Na realidade, tudo foi uma grande brincadeira literária e Wallace O’Brian era, de certa forma, um manifesto poético do grupo, só que às avessas.
Sator arepo tenet opera rotas. O palíndromo é um vício?
A arte do palíndromo é uma grande diversão, mas também um vício, um estorvo. O Laerte tem uma série de tiras sobre palíndromos, que ele curiosamente assina como ET Real. Uma delas ilustra bem a fixação do palindromista na procura pelo palíndromo: um sujeito está no ônibus e lê uma placa em que está escrito restaurante; pensando em várias combinações de letras a partir do espelho da palavra, ele chega ao resultado: “E.T. na rua; T.S.E. redobra garbo de restaurante”, e a charge termina com ele procurando por uma caneta. Essa tira é genial, pois ilustra com perfeição a experiência palindrômica e a condição do palindromista. Eu coleciono os palíndromos que faço, e já contabilizo algumas centenas, embora admita que são poucos os que guardam alguma verossimilhança e concisão, que são critérios para se avaliar a qualidade de um palíndromo. Já que mencionei, cito alguns palíndromos de minha autoria: “O spa local a colapso”, “Medo, pejo – hoje podem”, “Somava zero. Rezávamos”, “O céu sueco”, “Lê, Dr., o cordel”, “À cobaia dai a boca”, “Até o professorvillêpapel. Livros, se for poeta”, “Museu – és um?”, “O laicogênio foi negociá-lo”, “A letra é arte lá”, “O anônimobar abomino? Não!”, entre vários outros, para nem citar os palíndromos impublicáveis. Certa vez eu e meu amigo Guilherme Almeida de Almeida organizamos um curso de criação de palíndromos na Casa das Rosas, que foi bastante divertido, especialmente para nós mesmos. Também sou o proprietário de uma comunidade no orkut dedicada à arte palindrômica, chamada “Palíndromos e palindromania”, e convido os leitores a fazer uma visita. É difícil unir palíndromo e poesia, pois o resultado em geral é nonsense ou na linha arte pela arte. Mas já fiz algumas tentativas e incursões literárias no palíndromo, como os micropoemas da “Série palindrômica”.
Em 2005, você lançou “Medianeira”, seu primeiro livro de poesias. Está preparando o próximo livro de poesias ou os seus trabalhos atuais estão voltados totalmente para a tradução?
Tenho dois livros na gaveta, um de poesia e outro de poesia infantil, que estão amadurecendo antes serem publicados. Não tenho pressa de publicar, sei que todo livro tem um ciclo próprio de gestação que não convém acelerar. Também estou num processo de incorporação das minhas leituras ibéricas, que talvez resultem em novos poemas, dos quais o poema “De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade” é um primeiro fruto. Por enquanto estou mais focado mesmo no meu trabalho como tradutor. Hoje tenho três projetos de tradução em andamento, sendo que um deles já está em fase de editoração, a antologia Canto desalojado, que reúne poemas de Alfredo Fressia, poeta uruguaio radicado em São Paulo. Também tenho planos para organizar uma continuação da coleção Poesias de Espanha, desta vez tratando do restante séc. XX que não foi abrangido pela primeira coleção. Esta continuação terá como subtítulo “do pós-Guerra a 2000” e já contabiliza uma quantidade razoável de poemas e poetas traduzidos, só que desta vez vou trabalhar com mais calma, sem a pressão de uma data pré-estabelecida para o lançamento. É uma lição que aprendi com o trabalho insano a que me submeti na primeira coleção. Não que eu me arrependa, pois é um trabalho de que me orgulho bastante, mas não pretendo repetir a experiência tão cedo.
O Estado de São Paulo, Caderno 2, p. D6 São Paulo, sábado, 30 de maio de 2009
Coleção de poesia reúne idiomas da Espanha
INEDITISMO: A curiosidade criou a nova coleção da Hedra, editora dedicada ao segmento de livros de bolso. Chamado de Poesia de Espanha, o projeto é feito de quatro antologias - cada uma reúne 30 poemas e custa R$ 15 - com autores que escreveram em castelhano, catalão, galego e basco e que representam diferentes momentos históricos. A coleção começa com a poesia trovadoresca, passa pelo Humanismo, pelo Século de Ouro Valenciano, pela Decadência, pelo Romantismo, pelo Renascer, pelos movimentos de vanguarda, e termina na Guerra Civil (1936-1939). A iniciativa e a tradução foram realizadas por Fábio Aristimunho Vargas, que estudou catalão e basco levado pela curiosidade sobre suas origens ibéricas. Formado em Direito pela USP, Vargas é especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Basco. Além do desejo de conhecer, a coleção nasce de uma surpresa. Após procurar sem sucesso, em livrarias e na web, coletâneas traduzidas para o português, Vargas foi atrás de obras com poemas originais nas quatro línguas oficiais da Espanha. Segundo o tradutor, nem lá se deram ao trabalho.
O poeta Ricardo Silvestrin analisa coleção que reúne poemas espanhóis do século 12 à Guerra Civil do país
Há poucos dias, uma repórter me perguntou se os poemas nos ônibus em Porto Alegre contribuíam para aproximar as pessoas da poesia. A pergunta supunha que houvesse uma distância. Respondi que, ao contrário, a poesia é tão próxima que se encontra nos ônibus. Se fosse distante, jamais estaria ali. Nosso mundo ocidental começa lá na Grécia antiga.
E o que herdamos dos gregos? Poesia e Filosofia. É através dessas duas artes que nos entendemos como seres humanos. Sem figurar, sem aprofundar, sem pensamento e linguagem não existimos. Foi quando o homem passou a falar de si mesmo e não mais dos deuses que se chegou à poesia lírica. Foi pela poesia que se entendeu como é uma língua. Língua não existe. O que temos é a fala. A língua é uma abstração. Lá se foram os gramáticos tentar formular como são as línguas. A quem recorreram? Aos poetas. Italiano se escreve assim porque Dante escreveu, diz como último recurso um gramático. O exemplo do português é Camões. Olha quantas páginas esse cara fez – dirá o gramático – vai duvidar dele? É claro que os poetas não planejaram virar matrizes de pensamento ou de linguagem. Artistas, fizeram o que tinha necessidade de fazer. Mas eles, mesmo sem querer, moldam a expressão, a maneira de perceber e de dizer as coisas de um povo. Mesmo que não leia um livro de poesia durante toda uma vida, ninguém está nem estará distante dela. As formas poéticas estão veladas nas canções populares, nas tramas de novelas, na fala do dia a dia, no jeito de ser, de pensar e de sentir. Uma viagem pelas relações entre a poesia e a sensibilidade de um povo é o que nos traz a leitura da coleção de poesia espanhola traduzida e organizada por Fábio Aristimunho Vargas para a editora Hedra.
Na Espanha, coexistem quatro línguas: castelhana, catalã, basca e galega. É uma Minibabel. Durante a ditadura de Franco, as outras três línguas que não a castelhana foram proibidas. Só com a constituição de 1978 é que voltaram a ser consideradas também como línguas oficiais. O trabalho do Fábio, paulista de origem espanhola, veio preencher uma lacuna que existia na própria história da literatura espanhola. Não havia até então uma antologia que contemplasse a poesia das quatro línguas. A seleção dos autores e dos textos abrange o período que vai do século 12 até a Guerra Civil espanhola, encerrada em 1939.
Épicos contando os feitos de um herói, cantigas louvando ou avacalhando alguém, relatos de moça virgem que não se entrega a quem a raptou, religiosos em conflito com o corpo e o espírito, louvações à bebedeira na brevidade da vida, reflexões refinadas e supimpas sobre a existência humana, amores exagerados que só existem assim nos textos, cantares à pátria, à língua, observações da natureza, humor inteligente, jogos criativos de palavras, crítica e sátira política e, de quebra, alguma sacanagem. As matrizes da poesia ocidental estão ali. Pelos quatro volumes, salta aos olhos o timaço castelhano: Jorge Manrique, guerreiro e nobre do século 15, Santa Teresa de Ávila no século 16, Góngora na virada para o 17, no mesmo século Quevedo e Calderón de La Barca, no 19 vêm Unamuno e Rosália de Castro e, na virada para o 20, Antônio Machado e Garcia Lorca. Por um lado, é leitura para iniciados. Por outro, uma vez que contempla o que, de certa forma, o senso comum espera do poema (amor, rima, sonoridades, versificação retrô) pode ser lido na rodoviária esperando o ônibus.
RICARDO SILVESTRIN*
* Escritor e publicitário
Baco não quer altar nem quer admiração
Salvat Monho (“Poesia basca”)
(1749-1821)
Baco não quer altar nem quer admiração.
Para os homens deixou somente uma instrução:
o vinho sem a água à vontade beberem,
se da morte manter-se a distância quiserem.
Se pensam que viver se reduz a existir,
felizes vamos ser e um bom gole ingerir.
Pois não sabemos como a vida prolongar,
Deixemo-nos beber se o coração mandar.
Se alguém se dá ao trabalho, então não perca a vez:
o copo está vazio, pode enchê-lo outra vez.
Gozar, até esquecer o que nos aborrece
e as lembranças ruins que ninguém esquece.
Bebamos outra vez; é como sói dizer:
que dois copos depois, o terceiro é um dever
E se esse coração no fundo ainda é triste,
talvez o quarto copo enfim o reconquiste.
(sem título)
Rosália de Castro (“Poesia galega” – autora também incluída na antologia castelhana)
(1837-1885)
Agora cabelos negros,
mais tarde cabelos brancos;
agora dentes de prata,
amanhã dentes quebrados;
hoje bochechas rosadas,
amanhã corpo enrugado.
Morte, morte negra,
cura de dores e enganos:
por que não matas as moças
antes que as matem os anos?
Epitáfio
Francesc Vicenç Garcia - (“Poesia catalã”)
(1579-1623)
(à sepultura de um grande bebedor de aguardente, que morreu de gota)
1 - Camisetas da Nike.“Só compro porque me salvam da alergia. Mas o símbolo do fabricante é tão grande que, se pudesse,não compraria deles. É de mau gosto”
2 - “Duas barras de chocolate Lindt 85% de cacau”
3 - “Dois pólens [complemento nutricional], da Forever”
4 - “Um HD removível para backup, na rua Aurora”
5 - Livros de poesia espanhola, traduzidos por Fábio Aristimunho Vargas.“Fui comprando um por dia, à medida que me encantava com o anterior”
6 - Uma placa paralela para impressora de computador
7 - “Máscara para fantasia de palco, para cantar ‘Profissão Ladrão’ na Virada Cultural. Comprei na ladeira Porto Geral”
8 - “Um apito imitando briga de gatos,no Embu”
9 - “Dois calções de banho, para hidroterapia”
10 - “Uma dúzia de soldadinhos de plástico subindo uma colina, um cenário da [artista] Laura Andreato reproduzindo o assédio do Exército ao CPC da Bahia”
(Folha de São Paulo, Caderno Vitrine, 16 de maio de 2009)
Fotos do lançamento no Salão Internacional do Livro
Entre os dias 1º e 10 de maio foi realizado o Salão Internacional do Livro - Foz do Iguaçu 2009. Participei do evento com o lançamento da Coleção Poesias de Espanha, no dia 4, ocasião em que fiz uma palestra sobre "Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca". Eis as fotos da minha participação:
Auditório cheio
Minha mãe
Minha irmã Tania lendo Garcilaso de la Vega
Meu alunos também leram, como a Adriana
Vera, minha aluna de Filosofia, lendo Santa Teresa de Ávila
COL. POESIAS DE ESPANHA: DAS ORIGENS À GUERRA CIVIL
Organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas. Hedra
O bom tradutor, assim como o melhor bailarino, é aquele que esconde a ideia de esforço e manifesta sua arte por meio da simplicidade. A nov Coleção Poesias de Espanha contém quatro volumes dessa simplicidade espantosa, divididos conforme as línguas de origem: Poesia espanhola, Poesia catalã, Poesia galega e Poesia basca – do século XII até o marco da Guerra Civil Espanhola, há 70 anos.
Uma coleção organizada com base nas principais línguas da Espanha é inédita, mesmo em castelhano, resquícios talvez da proibição feita até 1975, pelo governo de Franco, às línguas regionais. O tradutor, nascido perto de nossa tríplice fronteira e provavelmente acostumado aos falares castelhanos, guaranis e portugueses em constante tensão, aponta algumas estrelas que brilham nos céus do traçado geográfico espanhol, palmilhando novas constelações e caminhos.
Longe de qualquer monotonia, os poemas são vivos e deliciosos – desde concorridíssimos, como “La aurora” de Federico García Lorca (Aristimunho teve o gostinho de mostrar sua própria tradução) até autores fundamentais menos em voga, como Rosalía de Castro e Lauaxeta, em escolhas tocantes, como “A vaca cega”, de Joan Maragall, e surpreendentes, como a balada “A moça transformada em cervo”, que narra o triste fim da moça feiticeira, morta pelos cães do próprio irmão e servida como iguaria no jantar da família.
A seleção é acompanhada por bons prefácios, guias ortográfico e fonético, assim como notas sobre períodos literários, autores e poemas originais. A revisão é de Miguel Afonso Linhares.
O volume Poesia basca é resultado de pesquisa orientada por Jon Kortazar, catedrático da Universidade do País Basco e Poesia catalã foi premiado pelo instituto catalão Ramon Llull. Talvez dê, sim, para perceber um pouquinho do esforço do caminhante, que faz caminho ao andar.
Gazeta do Povo, Caderno G Curitiba, sábado, 2 de maio de 2009
Resgate do legado espanhol
O paranaense Fábio Aristimunho Vargas traduziu e organizou a primeira antologia das quatro línguas faladas e escritas na Espanha, do século 12 até a Guerra Civil
Publicado em 02/05/2009 | Marcio Renato dos Santos
A Guerra Civil (1936-1939) provocou fraturas, ainda não totalmente cicatrizadas, nos tecidos social e cultural da Espanha. Entre as baixas, não apenas Federico Garcia Lorca (assassinado em 1936), mas muitos outros autores. Não foram poucos os sobreviventes que tiveram de buscar no exílio a única possibilidade para continuar a vida. O fim do confronto, então, não é data para se comemorar. Ao contrário. O general Franco proibiu que se falasse, escrevesse e publicasse em basco, galego e catalão,o que provocou imenso desconforto entre as minorias do país.
Agora, sete décadas depois do encerramento da Guera Civil, um brasileiro, mais especificamente um paranaense, natural de Foz do Iguaçu, organiza a primeira antologia de poesia dos quatro idiomas que pulsam na Espanha – iniciativa inédita em âmbito mundial. Fábio Aristimunho Vargas, de 32 anos, assina a tradução e a organização de quatro títulos publicados pela editora Hedra: Poesia Espanhola, Poesia Basca, Poesia Catalã e Poesia Galega. Ele participa de um debate, que inclui sessão de autógrafos, na próxima segunda-feira, 4 de maio, às 19h30, no Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu (R. Benjamin Constant – em frente à Fundação Cultural).
O projeto começou a ser esboçado durante 2002, ano em que Vargas passou temporada na Espanha – ele realizou um curso na Universidade de Salamanca. Lá, constatou que, primeiro, não havia qualquer antologia de poesia nos idiomas falados e escritos no país de Cervantes. Depois, percebeu que o conflito do século 20 seria um limite para a proposta. Daí o subtítulo da coleção: Das Origens à Guerra Civil. As poesias espanhola e catalã tiveram início no século 12. Poetas galegos são conhecidos a partir do século 13. A poesia basca, por sua vez, passou a ser produzida apenas no século 15.
Vargas procurou apresentar ao leitor um painel, o mais amplo possível: cada título tem 30 poemas, de 20 autores – o que totaliza 80 poetas (do século 12 até meados do século 20). Mas o critério foi o seu gosto pessoal. Ele também é poeta, autor do livro Medianeira. “A minha sensibilidade norteou a seleção.” Há, de fato, variedade e muitas informações relevantes. No País Basco, região situada no extremo norte da Espanha, mais do que nascer no local, para ser considerado um “nativo”, é necessário falar a língua. “Entre as línguas a tinham/ como dentre as mais pobres,/ mas agora há de ser/ de todas a mais nobre”, diz um poema, atribuído a Bernat Etxepare, de 1480, que revela a necessidade dos bascos de afirmar o idioma.
O general Franco, ditador que ficou no poder de 1939 até a década de 1970, reprimiu tanto o País Basco, que até ordenava para que fossem raspadas as inscrições em basco registradas em lápides de cemitérios. A respeito dessas nuances, e sobretudo para divulgar essa coleção, Vargas deve falar em Barcelona ainda em 2009. Por hora, de volta a Foz do Iguaçu (ele morou em São Paulo de 1995 até o ano passado), o advogado divide-se entre as demandas do seu escritório, aulas em duas faculdades e muito estudo: tem a meta de vir a ser aprovado na prova do Instituto Rio Branco e, finalmente, ingressar na escola de diplomatas.
Os quatro volumes apresentam estudos introdutórios, que são portas de entrada para entender o contexto em que foram produzidas essas manifestações poéticas. Mas, na realidade, a grande contribuição desse projeto é a disponibilização dos textos nos idiomais originais e na tradução em português – o que viabiliza ao leitor o contato direto com essas manifestações que, por meio de lirismo, tratam de questões atemporais, como amor, ódio, ciúme, morte, perseguição e vida.
Serviço:
Coleção Poesias da Espanha: Das Origens à Guerra Civil. Quatro Volumes (Poesia Espanhola, Poesia Basca, Poesia Catalã e Poesia Galega). Hedra. 150 págs (em média, por edição). Preço médio: R$ 15.
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
Vargas: o primeiro mapeamento, em âmbito mundial, da produção poética da Espanha
“Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13.
“E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20
“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17
“Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15
“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17
“Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15
“Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13.
“E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20
“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17
“Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15
“Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15
“Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13.
“E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20
“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17
A Gazeta do Iguaçu, Foz do Iguaçu, quinta-feira, 22 de abril de 2009
Coleção Poesias de Espanha será lançada em Foz
Entre os autores reunidos, figuram nomes diversos como Martim Codax e Federico García Lorca
....Os 70 anos do encerramento da Guerra Civil Espanhola, um dos episódios mais cruéis e de maior impacto do séc. XX, são lembrados neste mês de abril de 2009. Para marcar a efeméride, a editora Hedra lança a coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, uma antologia poética em quatro volumes que reúne as literaturas galega, espanhola, catalã e basca, todas elas profundamente marcadas pela Guerra Civil Espanhola.
....Os volumes lançados, intitulados Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca, todos com o subtítulo “das origens à Guerra Civil”, reúnem uma seleção de poemas e autores representativos dos principais períodos históricos de cada literatura, desde suas origens como manifestação literária, a partir do séc. XII, até a Guerra Civil Espanhola, encerrada em 1º de abril de 1939.
....O corte temporal, além de abarcar as origens da poesia de cada uma das línguas, destaca a importância da Guerra Civil Espanhola para as quatro literaturas, simultaneamente como elemento de ruptura e fator de convergência, na medida em que representa o desaparecimento de toda uma geração de escritores perdida na guerra ou no exílio.
....Com organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas, a antologia conta ainda com um amplo aparato crítico: uma apresentação geral à coleção seguida dos prefácios específicos para cada língua, notas biobibliográficas dos autores e poemas, um quadro sinótico, fonética sintática e guia comparativo das ortografias portuguesa, galega, castelhana, catalã e basca.
....Entre os autores reunidos figuram nomes tão diversos como Martim Codax, Rosalía de Castro, Manuel Antonio (Poesia galega), Gonzalo de Berceo, Garcilaso de la Vega, Federico García Lorca (Poesia espanhola), Ausiàs March, Jacint Verdaguer, Bartomeu Rosselló-Pòrcel (Poesia catalã), Bernat Etxepare, José María Iparraguirre, Lauaxeta (Poesia basca), entre vários outros, além de composições e cantigas de origem popular.
....O livro dedicado à poesia catalã foi premiado pelo Institut Ramon Llull, entidade responsável pela projeção no exterior da língua e da cultura catalãs, com sede em Barcelona, com a concessão de apoio à tradução em 2009.
SOBRE O ORGANIZADOR
....Fábio Aristimunho Vargas é professor, escritor e advogado. Cursou direito e letras na USP. É mestre em direito internacional pela USP, especialista em direito internacional privado pela Universidad de Salamanca e especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco. Traduziu para o português os livros Atlas: Correspondência 2005--2007 [Edicions sèrieAlfa, 2008], do poeta valenciano Joan Navarro e do artista plástico catalão Pere Salinas; La entrañable costumbre [Mantis Editores, 2008], do mexicano Luis Aguilar, entre outros. É co-organizador e tradutor ao castelhano da coletânea de jovens poetas Antologia Vacamarela: português, espanhol e inglês [Edição dos autores, 2007]. Mantém o blogue medianeiro.blogspot.com.
PALESTRA E LANÇAMENTO EM FOZ DO IGUAÇU
....A coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil será lançada em Foz do Iguaçu durante o Salão Internacional do Livro, no dia 04 de maio, às 19h30. Na ocasião o organizador-tradutor ministrará uma palestra sobre “Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”, seguida da leitura de poemas e apresentação de canções e baladas antigas em vídeo. O primeiro lançamento da coleção ocorreu em São Paulo, no dia 03 de abril, na Casa das Rosas, e teve grande repercussão.
APOIO
....Institut Ramon Llull
SERVIÇO
....Coleção Poesias de Espanha, em quatro volumes: Poesia galega: das origens à Guerra Civil, Poesia espanhola: das origens à Guerra Civil, Poesia catalã: das origens à Guerra Civil e Poesia basca: das origens à Guerra Civil (São Paulo: Hedra, 2009).
....Organização e tradução Fábio Aristimunho Vargas
....·Lançamento: Salão Internacional do Livro Foz do Iguaçu - 2009, dia 04 de maio, a partir das 19h30, Auditório 2
....·Palestra: Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca.
....·Leitura de poemas e apresentação de canções e baladas antigas em vídeo.
Lançamento de Poesias de Espanha no Salão Internacional do Livro
Vou participar do Salão Internacional do Livro - Foz do Iguaçu 2009. O lançamento da Coleção Poesias de Espanha será no dia 4 de maio, a partir das 19h30, quando darei uma palestra sobre "Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca".
Fui convidado a participar do evento "Poesia e Guerra Civil: diálogos e intervenções", promovido pelo Instituto Cervantes no Dia Mundial do Livro. Colaborei com o vídeo-poema da postagem anterior.
VÍDEO-POEMA: "De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade"
Vídeo-poema feito sob encomenda do Instituto Cervantes para o evento "Poesia y Guerra Civil Española: diálogos e intervenciones", realizado no dia 23 de abril de 2009 na sede do IC em São Paulo. A organização do evento propôs a diversos escritores latino-americanos que realizassem um "diálogo" com algum poema da época da Guerra Civil.
De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade
...........A partir do poema “A um trabalhador assassinado”
...........(Langille eraildu bati), do poeta basco Lauaxeta
...........(1905-1937),que morreu fuzilado na Guerra Civil
Como trabalhadores, todos somos
um pouco a cada dia assassinados.
A cada dia um pouco relembrados
que trazemos em nossos cromossomos
o que podíamos ser mas não fomos
por nossa culpa, pois não estudados.
Nessa guerra incivil dos tributados,
nossa bagagem tanta, feito os pomos-
-de-Adão dos travestis, nos denuncia
à distância à polícia aduaneira,
que sabe aliviar toda caçamba
dos excessos. Vivemos na fronteira
de nós mesmos, e somos nós a muamba
que é confiscada um pouco a cada dia.
...........Foz do Iguaçu, abril de 2009
_________________________
Comentário sobre o processo criativo
A Guerra Civil Espanhola teve grande impacto sobre quatro literaturas que convivem sobrepostas no território da Espanha. As literaturas galega, espanhola, catalã e basca sofreram igualmente com o desaparecimento de toda uma geração de escritores, perdida na guerra e no exílio.
Decidi homenagear um escritor basco, que escrevia em uma língua praticamente inacessível para além de suas fronteiras linguísticas. A obra do poeta Lauaxeta (1905-1937), que morreu fuzilado na Guerra Civil, causou por si mesma uma revolução nas letras bascas, introduzindo-as diretamente na Modernidade. Seu prematuro desaparecimento, aos 32 anos de idade, foi uma dentre as muitas perdas que a literatura basca demoraria a superar.
O poema que selecionei, “A um trabalhador assassinado” (Langille eraildu bati), trata de um dos temas que estavam na pauta original da Guerra Civil: a justiça social nas relações trabalhistas e o uso do aparato estatal para reprimir a classe trabalhadora.
Trasladando esse tema para meu tempo e lugar, a fronteira Brasil–Paraguai neste final da primeira década do séc. XXI, constato que permanece na pauta do dia o uso da força policial para reprimir trabalhadores que não têm outra perspectiva – a menos que se considere a criminalidade uma perspectiva – senão viverem na informalidade.
Diariamente são apreendidos na fronteira grandes volumes de mercadorias que seriam revendidas a preço baixo em diferentes pontos do território brasileiro. Mercadorias como brinquedos, eletrônicos e quinquilharias, responsáveis por colocar o pão na mesa de inúmeras famílias.
Em meu poema “De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade” procuro dar voz a um desses trabalhadores que vivem na fronteira de si mesmos.
Foi publicado um artigo meu em espanhol, "Política pública y literatura en Brasil", na revista Tela de Rayón, de Puerto Madryn, Argentina. Recebi recentemente os exemplares enviados por minha amiga Sylvia Iglesias.
Folha de S. Paulo Caderno Ilustrada São Paulo, sábado, 18 de abril de 2009
RODAPÉ LITERÁRIO
A esfera infinita da poesia
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Nova coleção reúne diversas tradições poéticas das regiões espanholas, dos versos galegos aos bascos ____________________________
MANUEL DA COSTA PINTO COLUNISTA DA FOLHA
TENDO EM comum o subtítulo "Das Origens à Guerra Civil", os quatro volumes sobre a "poesia de Espanha" organizados por Fábio Aristimunho Vargas são um notável trabalho de síntese: apresenta tradições literárias derivadas de vertentes linguísticas distintas -castelhana, catalã, galega, basca- e acaba demonstrando como o idioma da poesia constitui um país sobreposto ao território (mesmo quando incorpora suas tensões).
Pode-se dizer que a Espanha, como unidade política, é uma metonímia do mundo globalizado: compreende vários países dentro de sua extensão geográfica, possui uma metrópole hegemônica (Madri), que entretanto não cancela outros polos -um pouco como a esfera infinita de Pascal, "cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte nenhuma".
E se alguns desses centros conquistaram o estatuto de comunidades autônomas por pressão do violento nacionalismo basco ou do separatismo cultural catalão, a literatura -cuja nacionalidade é a língua- não pode prescindir do comércio com outros domínios. O maior exemplo está no volume "Poesia Espanhola", em que Vargas indica como Garcilaso de la Vega foi influenciado pelo valenciano Ausiàs March, que aparece em "Poesia Catalã". E há ainda, em "Poesia Galega", um dos poemas nesse idioma feitos por Federico García Lorca (cuja obra foi escrita essencialmente em castelhano).
As apresentações dos volumes são breves e esclarecedoras, indicando peculiaridades histórico-culturais; as traduções trazem, ao final, o poema na língua de origem; e os apêndices incluem, além da biografia dos escritores, quadros que colocam essas literaturas em paralelismo cronológico e ortográfico.
Dito isso, é digno de nota que as intempéries políticas -que se estenderam para além da Guerra Civil vencida pelo "generalíssimo" Francisco Franco em 1939- muitas vezes congelaram as tradições poéticas dos territórios submetidos. Enquanto a Espanha vivia seus "Séculos de Ouro" (renascimento e barroco), com Garcilaso, Góngora, Quevedo e Calderón de la Barca, a Galícia entrava nos "Séculos Escuros" de uma produção literária "praticamente nula", segundo Vargas.
E, no caso basco, alguns poemas parecem confinados a temas como a celebração da paisagem e a luta pela independência. Mesmo aqui, há momentos de impacto, como no verso que abre "Contrapasso", de Bernat Etxepare: "Euskara,/ mostra a tua cara", que o leitor certamente vai associar à música de Cazuza ("Brasil, mostra a tua cara") -e que prova como o tradutor soube recriar poemas que sobrevivem a seu contexto original graças à língua basca (euskara) e não à utopia regressiva da "nação basca" (Euskal Herria).
________________________________ POESIA ESPANHOLA / POESIA CATALÃ / POESIA GALEGA / POESIA BASCA: DAS ORIGENS À GUERRA CIVIL Autor: vários Tradução: Fábio Aristimunho Vargas Editora: Hedra Quanto: R$ 15 (cada volume de 160 págs. em média) Avaliação: ótimo
Entrevistas que concedi a rádios como organizador e tradutor da Coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, por ocasião do lançamento dos quatro volumes da coleção: Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca (São Paulo: Hedra, 2009).
CBN – A rádio que toca notícia Entrevista concedida à jornalista Simone Bagno, da Rádio CBN de São Paulo, programa CBN Noite Total, Boletim Tempo de Letras, que foi ao ar no dia 02/04/09, às 23h. Fonte: site da CBN.
BLOG TEMPO DE LETRAS Excerto que não foi ao ar da entrevista concedida à jornalista Simone Bagno, da Rádio CBN de São Paulo. Postado no blog institucional do programa em 02/04/09. Fonte: Blog Tempo de Letras.
RÁDIO ELDORADO FM Entrevista concedida à jornalista Vanessa di Sevo, da Rádio Eldorado FM de São Paulo, que foi ao ar no dia 1º/04/09, às 15h30. Chamada: “Mundo lembra os 70 anos do fim da Guerra Civil Espanhola”. Fonte: site Território Eldorado.
RÁDIO CULTURA BRASIL Entrevista concedida à escritora e apresentadora Andréa Catrópa, da Rádio Cultura Brasil, programa Ondas Literárias, que foi ao ar no dia 28/03/09, às 10h30. Fontes: site da Rádio Cultura Brasil e blogue Ondas Literárias.
Fotos do lançamento da Coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, realizado na Casa das Rosas, em São Paulo, no dia 03 de abril de 2009. O lançamento foi tudo de bom! Pra quem não se lembra, neste mês de abril de 2009 são lembrados os 70 anos do fim da Guerra Civil Espanhola.
Os livros da noite, de cima pra baixo: Poesia catalã, Poesia galega, Poesia basca e Poesia espanhola (São Paulo: Hedra, 2009).
"Minha obra deixe, quem não está triste, ou triste alguma vez não haja estado"... (Ausiàs March)
Debate "O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca", com Paulo Ferraz, Fábio Aristimunho Vargas, Estebe Ormazabal e Miguel Afonso Linhares. "Escuta, Espanha, a voz de um filho que fala em língua não castelhana" (Joan Maragall)
Casa cheia! "branca, louçã, cortês, polida e lhana, casa de humildes dons, castos amores" (Teodor Llorente) Intervalo entre o debate e o recital. "Os prazeres e os dulçores desta vida trabalhada" (Jorge Manrique)
Eu, tia Marli e minha prima Bárbara. "Meu coração transborda de alegria, e dos de casa já escuto a voz" (Jean Baptiste Elizanburu)
Autógrafo com Felipe Oliva. "nem eu tenho mais que dar-te nem tens mais que me pedir" (Rosalía de Castro)
Ana Rüsche fazendo as vezes de mucama. "Livre-me Deus desta carga mais que o aço árdua de suster, que morro por não morrer" (Santa Teresa de Ávila)
Alfredo Fressia, Dirceu Villa e Ana Rüsche. "Como dize Aristótiles, cosa es verdadera, el mundo por dos cosas trabaja: la primera..." (Juan Ruiz, Arcipreste de Hita)
Sarau quinquelíngue: Miguel Afonso Linhares e Andréa Catrópa na leitura do galego. "Ai desperta, adorada Galiza, desse sono em que estás debruçada" (Francisco Añón)
Sarau: Estebe Ormazabal e Paulo Ferraz na leitura do basco. "Muitos gostam dos bascos sem sua língua falar, e agora ao euskara poderão comprovar" (Bernat Etxepare)
Baladas antigas. "Mas agora pague o mico" (anònim, segle XIX)
Pós-lançamento de sempre... ..."que dois copos depois, o terceiro é um dever"! (Salvat Monho)
Tércio Redondo, Ruy e Marisa Proença. "Era mais de meia-noite, contam as velhas histórias"... (José de Espronceda)
"Mas tenho sede! Passem-me a garrafa!" (Betiri Olhondo)
Padrinhos, madrinhas e afilhados: Ju, Claudia, Marco Antonio, Melissa e eu. ..."rodeados de amigos, que o prazer nos recordam"... (Eduardo Pondal)
Eu e a Ju, que me apoiou - e aguentou! - nesses dois anos de Poesias de Espanha. "De quantas coisas que no mundo estão, não vejo eu bem quais podem semelhar" (Paio Gomez Charinho)
Os 70 anos do encerramento da GuerraCivil Espanhola, um dos episódiosmais cruéis e de maiorimpacto do séc. XX, serão lembrados no dia 1º de abril de 2009. Paramarcar a data, a editoraHedralança, no dia 3 de abril na Casa das Rosas, a coleçãoPoesias de Espanha: das origens à GuerraCivil, uma antologiapoéticaemquatrovolumesque reúne as literaturasgalega, espanhola, catalã e basca, todas elasprofundamente marcadas pelaGuerraCivil Espanhola.
Os volumesqueserão lançados, intitulados Poesiagalega, Poesia espanhola, Poesia catalãe Poesiabasca, todoscom o subtítulo “das origens à GuerraCivil”, reúnem uma seleção de poemas e autores representativos dos principaisperíodoshistóricos de cadaliteratura, desdesuasorigenscomomanifestaçãoliterária, a partir do séc. XII, até a GuerraCivil Espanhola, encerrada em 1º de abril de 1939.
O cortetemporal, além de abarcar as origens da poesia de cada uma das línguas, destaca a importância da GuerraCivil Espanhola para as quatroliteraturas, simultaneamente comoelemento de ruptura e fator de convergência, na medidaemque representa o desaparecimento de toda uma geração de escritores perdida na guerraou no exílio.
Comorganização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas, a antologiacontaaindacomumamploaparatocrítico: uma apresentaçãogeral à coleçãoseguida dos prefáciosespecíficosparacadalíngua, notas biobibliográficas dos autores e poemas, umquadro sinótico, fonéticasintática e guiacomparativo das ortografias portuguesa, galega, castelhana, catalã e basca.
Entre os autores reunidos figuram nomestãodiversoscomo Martim Codax, Rosalía de Castro, Manuel Antonio (Poesiagalega), Gonzalo de Berceo, Garcilaso de la Vega, Federico García Lorca (Poesia espanhola), Ausiàs March, Jacint Verdaguer, Bartomeu Rosselló-Pòrcel (Poesia catalã), Bernat Etxepare, José María Iparraguirre, Lauaxeta (Poesiabasca), entreváriosoutros, além de composições e cantigas de origempopular.
O livro dedicado à poesia catalã foi premiado peloInstitut Ramon Llull, entidaderesponsávelpelaprojeção no exterior da língua e da cultura catalãs, comsedeem Barcelona, com a concessão de apoio à traduçãoem 2009.
SOBRE O ORGANIZADOR
Fábio Aristimunho Vargas é professor, escritor e advogado. Cursou direito e letras na USP. É mestreemdireitointernacionalpela USP, especialistaemdireitointernacionalprivadopela Universidad de Salamanca e especialistaemestudosbascospela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del PaísVasco. Traduziu para o português os livrosAtlas: Correspondência 2005--2007 [Edicions sèrieAlfa, 2008], do poeta valenciano Joan Navarro e do artistaplásticocatalão Pere Salinas; La entrañable costumbre [Mantis Editores, 2008], do mexicano Luis Aguilar, entreoutros. É co-organizador e tradutor ao castelhano da coletâneade jovenspoetasAntologia Vacamarela: português, espanhol e inglês [Edição dos autores, 2007]. Mantém o blogue Medianeiro.
DEBATE E RECITAL
Paralelamente ao lançamento haverá umdebate e umrecital quinquelíngue de poesia. O DEBATE abordará o tema “O impacto da GuerraCivil nas literaturasgalega, espanhola, catalã e basca”. Dele participarão, entreoutros, Estebe Ormazabal, professor de línguabasca; Miguel Afonso Linhares, linguista e professor de espanholemRoraima, e Fábio Aristimunho Vargas, organizador e tradutor da coleçãoPoesias de Espanha.
No RECITAL QUINQUELÍNGUE, escritoresconvidados farão leituras de poemasemgalego, castelhano, catalão e basco, com as respectivas traduções ao português. Participarão das leituras, entreoutrosescritores, Paulo Ferraz, Alan Mills, Andréa Catrópa e Dirceu Villa. Ao final, serão apresentados vídeoscomcanções e baladas antigas.
APOIO
Institut Ramon Llull
Casa das Rosas
DIVULGAÇÃO
Euskal Etxea Brasil
Associação Cultural Catalonia
Coletivo Vacamarela
Instituto Cervantes
SERVIÇO
ColeçãoPoesias de Espanha, emquatrovolumes: Poesiagalega: das origens à GuerraCivil, Poesia espanhola: das origens à GuerraCivil, Poesia catalã: das origens à GuerraCivil e Poesiabasca: das origens à GuerraCivil, editora Hedra, 2009.
Organização e tradução Fábio Aristimunho Vargas.
Lançamento: dia 03 de abril, a partir das 19h,
Debate: O impacto da GuerraCivil nas literaturasgalega, espanhola, catalã e basca.
Recital quinquelíngue com a participação de escritoresconvidados.
Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 -Bela Vista Fone: 11 3285-6986/ 3288-9447
Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 22h. Sábados e domingos, das 10h às 18h.
Assista e ouça a todas as interpretações musicais de composições indicadas na antologiaPoesias de Espanha: das origens à GuerraCivil(São Paulo: Hedra, 2009. Organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas), coletâneaemquatrovolumesque reúne as poesiasgalega, espanhola, catalã e basca do séc. XII a 1939, ano do fim da Guerra Civil Espanhola.
As línguas da Espanha
POESIAGALEGA
Ondas do Mar de Vigo
Cantiga de autoria de Martim Codax (séc. XIII).
Créditos da interpretação: Synfonye. Dir. Stevie Wishart.
Santa Maria, Strela do dia(Santa Maria, Estrela do dia)
Cantigaque integra o cancioneiro das Cantigas de Santa Maria, cuja autoria é tradicionalmente atribuída a Afonso X o Sábio (1221-1284).
Créditos da interpretação: Petrônio Joabe, Elton Becker e João Omar, integrantes do ProjetoMúsica e Literatura.
Fonte: o linkoriginal. Neste endereço há transcrições e melodias de todas as Cantigas de Santa Maria. Jáneste endereço há fac-símiles e gravuras dos manuscritosmedievais.
La cançó del comte l’Arnau (A canção do conde Arnau)
Famosacançãopopular surgida porvolta do séc. XV.
Créditos da interpretação: Montserrat Figueras i Francesc Garrigosa, en Cançons de la Catalunya Mil·lenària. Planys & llegendes. Capella Reial de Catalunya, dirigida per Jordi Savall. Audivis-Astrée (1991).
Créditos da interpretação: Llibre de cançons - crestomatia de cançons tradicionals catalanes. Edició amb les melodies i els textos íntegres, revisats i comentats a cura de Joaquim Maideu i Puig. EUMO Editorial. Secció II: Cançons baladístiques o líriconarratives.
Un lloro, un moro, un mico, i un senyor de Puerto Rico(Umlouro, ummouro, ummico, e umsenhor de PortoRico)
Canção novecentista de autoria desconhecida, atéhojebastantepopular.
Créditos da interpretação: gravação da banda Dijous Paella, que pode serbaixadagratuitamente no endereço eletrônico do gruposob o nomeUn Senyor de Puerto Rico.
Recentemente participei com uns amigos da Academia de Letras de uma enquete por e-mail que propunha eleger "as cinco pessoas mais influentes da História". Cada um votava em cinco nomes e no final os votos eram pesados e contabilizados, tendo-se chegado a uma lista de mais de 30 nomes em ordem de importância. Essa lista, que diz mais a respeito de nós mesmos do que dos nossos eleitos, chegou ao seguinte resultado:
Jesus - Maomé - Marx - Moisés - Hitler
São estas, para nós participantes da votação, as cinco pessoas mais influentes da História. Reproduzo agora alguns dos meus comentários desconstrutivistas, no sentido de Derrida, a respeito dessa relação: - Quanto às origens, 3 vieram do Oriente Médio e 2 da Europa Central.
- Quanto à língua materna, 1 provavelmente falava egípcio e hebraico, 1 falava aramaico, 1 falava árabe e 2 falavam alemão.
- Etnicamente, são 3 judeus, 1 árabe e 1 germânico (ou 4 semitas e 1 anti-semita).
- Cronologicamente estão bem distribuídos: um de c. do séc. XV a.C., um do séc. I, um do séc. VI / VII, um do séc. XIX e um do séc. XX.
- Quanto à auto-imagem que ostentam em suas respectivas doutrinas, são 2 profetas, 1 filho de Deus, 1 intelectual revolucionário e 1 führer.
- Com relação à religião, são 3 fundadores de religiões monoteístas contra 1 ateu e 1 católico seguidor de crenças ocultistas germânicas pintado como ateu.
- Politicamente, são 3 homens "práticos" (Maomé, Moisés, Hitler) contra 2 "teóricos" (Jesus, Marx).
- Quanto à natureza de suas ideias, são 3 místicos, 1 racionalista e 1 irracionalista, no sentido espinosiano.
- Quanto à divulgação de suas ideias, 2 tiveram seu pensamento conhecido e difundido por meio escrito graças ao trabalho de outros, enquanto 3 redigiram a própria obra.
- Quanto à profissão, um era carpinteiro; outro era mercador; outro era jornalista escritor; outro foi príncipe e depois pastor; outro foi pintor, militar e estadista.
- Quanto ao nascimento, um nasceu de uma virgem; outro nasceu de uma família de mercadores; outro nasceu de uma família judia de classe média; outro permaneceu oculto após o nascimento e foi lançado à deriva num rio dentro de uma cesta até ser encontrado por uma princesa; outro ocultou suas origens humildes e controvertidas.
- Quanto à morte, um morreu crucificado aos 33 anos de idade; outro morreu aos 63 após uma breve enfermidade; outro morreu aos 64 e foi enterrado como apátrida; outro morreu aos 120 anos após contemplar a terra de Canaã; outro se suicidou aos 56 na iminência de perder uma guerra.
- Quanto ao feito mais marcante, um ressuscitou ao terceiro dia e ascendeu aos céus; outro unificou tribos mutuamente hostis e formou um império; outro escreveu uma obra capital; outro dividiu as águas de um mar; outro foi responsável direto por uma guerra mundial.
- São 5 homens e nenhuma mulher. E para você, quem são as cinco pessoas mais influentes da História?
O lançamento do jornal de literatura contemporânea O Casulo n. 10ocorrerá na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumman, 777), quarta-feira, dia 17 de dezembro, às 19 h.
Durante o lançamento haverá um bate-papo sobre a obra de José Paulo Paes, uma performance do poeta Márcio-André e um sarau aberto com a participação dos poetas publicados no jornal.
Sintam-se a vontade para ir, pegar seu exemplar gratuitamente e ler seus poemas no palco.
Destaques desta edição:
- entrevista com Armando Freitas Filho
- resenha de Decalques, livro de estréia de Diniz Gonçalves Jr.
- homenagem a José Paulo Paes
- artigo crítico sobre a poesia de Paulo Ferraz
- poemas de Danilo Bueno, Márcio-André e Valéria Tarelho
Na próxima terça-feira, 9 de dezembro, às 19h, será realizada na CASA DAS ROSAS uma conversa com os poetas mexicanos Luis Armenta e Luis Aguilar, autores respectivamente dos livros O CÉU MAIS LÍQUIDO, traduzido por Paulo Ferraz, e O ENTRANHÁVEL COSTUME OU EL LIBRO DE FELIPE, traduzido por Fábio Aristimunho Vargas, numa parceria entre o Selo Sebastião Grifo e a Mantis editores, do México. Após haverá leitura com os autores e o lançamento dos livros.
MÚSICA POPULAR E POESIA CONTEMPORÂNEA NA CASA DAS ROSAS
O músico Renato Gama e a poeta Carol Marossi se apresentam no dia 21/11, a partir das 19 horas, no projeto Sexta Básica
A Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura continua oferecendo espetáculos mensais e gratuitos no projetoSexta Básica, que promove a divulgação músicos e poetas contemporâneos. No dia 21 de novembro é a vez do músico Renato Gama e da poeta Carol Marossi participarem do evento. "Além de divulgar novos artistas, o Sexta Básica revela um universo de criação cultural, associando literatura e música", afirma Donny Correia, coordenador cultural da Casa das Rosas.
Serviço SEXTA BÁSICA Evento Gratuito
Dia: 21/11/08, sexta-feira, 19h Local: Hall da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô São Paulo – SP Tels: (11)3285-6986 ou (11) 3288-9447 www.poiesis.org.br Estacionamento conveniado: Al.Santos, 74
O Miguel Afonso Linhares, cearense que vive em Roraima e estudioso de línguas românicas, é um grande amigo virtual que deu uma importante colaboração ao meu livro Poesias de Espanha, que está no prelo. Ele é um dos responsáveis pelo curso virtual de catalão abaixo, que recomendo enfaticamente aos interessados. O curso terá três enfoques: língua, literatura/história e cultura/sociedade.
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CURSO VIRTUAL DE CATALÃO
O Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio (www.ramonllull.net) preparou um curso virtual de catalão, na plataforma Moodle, que será ministrado pelo Prof. Miguel Afonso Linhares (CEFET-RR) e Profa. Paula da Costa Souza (USP).
Módulo Básico: Início das aulas dia 10/11/2008 e término no dia 28/02/2009 (recesso do dia 19/12/2008 ao 05/01/2009). Só serão admitidos os 50 primeiros que se inscreverem. O último dia para inscrever-se é 08/11/2008. O preço é de R$ 40,00 pelo módulo. Cada aula dura uma semana, de segunda a domingo. Inscrições diretamente com o Prof. Miguel: afonsolinhares@hotmail.com
Queria ser revoltado.
Usar jeans rasgado, militar na esquerda.
Mas sou filho da classe C,
esperança de casa,
tinha que fazer direito.
Acabei é fazendo poemas.
Hoje são palavras: se voltam contra mim.