23 de novembro de 2006

Oficina: Palíndromo e Poesia

Histórias, curiosidades, um pouco de técnica e as afinidades com a poesia!

Ministrada por Fábio oi-bafo-do-Fábio Aristimunho Vargas e por Guilherme à-farra-Gui-viu-garrafa Almeida de Almeida.

Dia 26/11/06, domingo, a partir das 10h30, na Casa das Rosas, em São Paulo.

A oficina faz parte do "Supercoisa 00".

Na ocasião vamos lançar as bases para a fundação da APA - Associação dos Palindromistas Amadores.

Venha palindromizar com a gente!

22 de novembro de 2006

1ª Mostra Internacional de Literatura – Poesia & Prosa

O evento pretende reunir nada menos que 92 poetas e escritores! De 17 a 30 de novembro, em Diadema, “Território Livre da Palavra".

Estarei lá também, no dia 24/11, sexta-feira. Agradeço o simpático convite do José Geraldo Neres, que além de poeta é assessor de literatura da Secretaria Municipal de Cultura da cidade.

Mais informações: .

Locais e Programação:

A Mostra será realizada nos seguintes locais: Teatro Clara Nunes, rua Graciosa, 300 Centro; Centro de Memória de Diadema, Av. Alda, 255/277 Centro; Biblioteca Central, Av. Sete de Setembro, 468 Vila Conceição; Biblioteca Vila Nogueira, Rua Bernardo Lobo, 263, Centro Cultural Promissão, rua Pau do Café, 1500; e Faculdade Diadema (FAD), avenida Alda, 831, Centro.

Dia 17, Sexta-feira, 15h - Biblioteca Central - Palestra: "Federico Garcia Lorca e Eugénio de Andrade, em busca da infância perdida", com António Joaquim da Silva Oliveira, doutor em Ciências da Literatura pela Universidade do Minho (Braga, Portugal); 20h - Teatro Clara Nunes - Mesa Hilda Hilst - com António Joaquim da Silva Oliveira, Portugal, Beth Brait Alvim, do Grupo Palavreiros, Claudio Willer, poeta, ensaísta, tradutor de Allen Ginsberg, Antonin Artaud, e Lautréamont, Contador Borges, poeta, ensaísta, tradutor de Sade, Nerval, e René Char, e Radi Oliveira do Grupo Palavreiros, Diadema;

Dia 18, Sábado, 10h - Biblioteca Central - Poesia como realidade experimental - Oficina de texturas poéticas e discussões a respeito do papel da poesia e suas implicações no real. Voltada para o fazer poético - a inter-relação com cênico, a dança e a música - a oficina propõe novos olhares para aquilo que tradicionalmente está restrito ao papel; com Márcio-André e Victor Paes, da Confraria do Vento, Rio de janeiro. 10h - Centro de Memória - Oficina de Oralidade & Escrita, com Ricardo Muniz de Ruiz, do Museu da República -Palácio do Catete - RJ; 14h -Teatro Clara Nunes - Mesa Orides Fontella - com Carlos Pessoa Rosa (autor de Atibaia-SP), Flávio Viegas Amoreira (Santos-SP), Hudson Reginaldo dos Santos, Diadema, e Marcelo Ariel (Cubatão-SP); 20h - Teatro Clara Nunes - Mesa Gerardo Mello Mourão -com Arildo Correia Lima, Diadema, Guilherme Zarvos (autor do CEP20000, Rio de Janeiro); Márcio-André (Confraria do Vento, RJ), Ricardo Muniz de Ruiz (Museu da República, RJ), e Victor Paes (Confraria do Vento, RJ);

Dia 20, Segunda-feira, 15h - Biblioteca Central - Palestra: Lusofonia, a língua portuguesa no Mundo - "A Pseudonímia em Artur Cravan e Fernando Pessoa, com a "Profa. Dra. Lucila Nogueira, da Universidade Federal de Pernambuco e, "A Narrativa Ficcional de Pepetela - escritor angolano", com a Profa. Dra. Elizabeth Robin Zekner Brose, da Universidade da Região da Campanha - URCAMP-RS e como mediadora, Suely Amaral, coordenadora do Curso de Letras da Faculdade Diadema; 20h - Biblioteca Central - Mesa Jorge de Lima - com Cesár Obeid, São Paulo, Lucila Nogueira (Universidade Federal de Pernambuco); Jurema Barreto de Souza, autora de Santo André (ABCD); Murilo Kollek, Palavreiros, Diadema, Raimundo Gadelha, autor da Paraíba, residente em São Paulo.

Dia 21, Terça-feira, 15h - Teatro Clara Nunes - Mesa Gilka Machado - com Edson B. de Camargo, autor de Mauá, ABCD, Flávia Rocha, São Paulo; Glauco Mattoso, poeta, ficcionista, ensaísta, articulista em diversas mídias, em colaboração com o professor Jorge Schwartz (da USP) traduziu a obra inaugural de Jorge Luis Borges, e Macário Ohana Vangélis, autor de Mauá, ABCD; 20h - Teatro Clara Nunes - Mesa Patativa do Assaré - com Assis Ângelo, jornalista paraibano, escritor, compositor e estudioso da cultura popular; Cacá Lopes, São Paulo; Costa Senna, Ceará, residente em São Paulo, Moreira de Acopiara, Ceará, residente em Diadema. Participação especial do cantor Zacarias Oliveira e do Grupo UnirVersos;

Dia 22, Quarta-feira, 15h - Teatro Clara Nunes - Mesa Campos de Carvalho - com Aristides Theodoro, da Bahia, residente em Mauá, ABCD, Hildebrando Pafundi, Santo André, ABCD, Lucius de Mello, São Paulo; e Ricardo Gomes Pereira, Diadema, ABCD; 20h - Teatro Clara Nunes - Mesa Rachel de Queiroz - com Andréa del Fuego, São Paulo, Carlos Henrique André, Diadema, Índigo, São Paulo, Ivana Arruda Leite, São Paulo; e Sarah Helena, Mauá, ABCD;

Dia 23, Quinta-feira, 15h - Teatro Clara Nunes - Mesa Mário Faustino - com Mariana Ianelli, São Paulo; Rodrigo Petronio, São Paulo; Deise Assumpção, Mauá, ABCD; Dirceu Villa, São Paulo; e José Geraldo Neres, Grupo Palavreiros, Diadema, ABCD; 20h - Teatro Clara Nunes - Mesa Murilo Mendes - com Beatriz Amaral, São Paulo; Ieda Estergilda de Abreu, Ceará, residente em São Paulo; José Nêumanne Pinto, escritor, cronista político e articulista do Jornal "O Estado de São Paulo"; Sérgio Lara, Diadema, e Zhô Bertholini, autor de Santo André, ABCD;

Dia 24, Sexta-feira, - Centro Cultural Promissão - Mesa Clarice Lispector, dedicada à literatura fantástica - com Edson Aquino, Grupo Palavreiros, Diadema, ABCD; Giulia Moon, São Paulo; Martha Argel, São Paulo, e Nilza Amaral, São Paulo; 20h - Biblioteca Central - Mesa Dora Ferreira da Silva - com Donizete Galvão, autor de Minas Gerais, residente em São Paulo; Fábio Aristimunho Vargas, autor do Paraná, residente em São Paulo; Paulo Ferraz, autor do Mato Grosso, residente em São Paulo; Rose Prado, Diadema; e Virna Teixeira, autora do Ceará, residente em São Paulo.

Dia 25, Sábado, 14h - Teatro Clara Nunes - Mesa Paulo Leminski - com Carlos Machado, autor da Bahia, residente em São Paulo; Julio Mendonça, São Bernardo do Campo, ABCD; Rosana Chrispim, ABCD e Ruy Proença, São Paulo; e Zózimo Adeodato Fernandes, Diadema, ABCD; 20h - Teatro Clara Nunes - Mesa João Cabral de Melo Neto - com Carlos Felipe Moisés, de São Paulo, professor aposentado da Universidade de São Paulo, poeta, tradutor, crítico literário e autor de literatura infanto-juvenil; Edson Cruz, autor da Bahia, residente em São Paulo; Eduardo Sterzi, autor do Rio Grande Do Sul, residente em São Paulo; Heitor Ferraz, São Paulo; Gilda Sabas, Diadema, ABCD; e Tarso de Melo, autor de Santo André, ABCD;

Dia 27, Segunda-feira, 15h - Biblioteca Central - Mesa - "Kizomba literária - a outra margem", dedicada à literatura africana - contos - Palestras com os professores Julio D???Zambê e Débora Lopes, mediadora Kiusam de Oliveira; 20h - Biblioteca de Inclusão Vila Nogueira - Mesa Oswald de Andrade - com Ademário Augusto, autor de Diadema; Ana Peluso, São Paulo; Ana Rüsche, São Paulo; Dalila Telles Veras, Santo André, ABCD; Hamilton Faria, autor do Paraná, residente em São Paulo, e Leonor Scliar-Cabral, Universidade Federal de Santa Catarina;

Dia 28, Terça-feira, 15h - Biblioteca Central - Mesa Plínio Marcos - com Antonio Possidônio, autor da Bahia, residente em Santo André, ABCD; Jeanette Rozsas, São Paulo; Maria José Silveira, de Goiás, residente em São Paulo e Roque Raymundo França de Oliveira, Diadema, ABCD; 20h - Mesa Caio Fernando Abreu - com Luiz Ruffato, autor de Minas Gerais, residente em São Paulo; Marcelino Freire, autor de Pernambuco, residente em São Paulo; Maria Regina de Araújo, do Grupo Palavreiros, Diadema, ABCD e Yara Camillo, São Paulo;

Dia 29, Quarta-feira, 15h - Biblioteca Central - Mesa "otras voces - otras palabras" - Vicente Huidobro - com Alfredo Fressia, Uruguai; Efrain Rodriguez Santana (Cuba); Juan Carlos Rodriguez Latorre (autor do Chile, participante do Grupo Palavreiros), Diadema, ABCD; 20h - auditório da Faculdade Diadema (FAD) - Mesa Mário de Andrade - Eduardo Lacerda, São Paulo; Elisa Andrade Buzzo, São Paulo; Maria Luiza Mendes Furia, São Paulo e Vanessa Almeida, Diadema, ABCD; e

Dia 30, Quinta-feira, 15h - Biblioteca Central - Círculo de Leitura "Sem saber o amor, a gente pode ler os romances grandes?" - um encontro especial para ler, conversar e refletir sobre os textos de Guimarães Rosa. Mediador: Reni Adriano Batista, educador do Projeto Círculo de Leitura do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial; 20h - Encerramento: Espetáculo musical "Antes da Próxima Poesia", com o Projeto Frenesy, grupo formado por Iki Kripim (violão e voz), Silvio Lucio (backing vocal), Rafael lacerda (contra baixo) e Wilhiam (violão e voz); apresentação do grupo UnirVersos, formado por Costa Senna (voz principal e violão), Tiago Stocco (voz e violão 12 cordas), Rodolfo Stocco (violão/nylon), Ornela Jacobino (cantora de apenas 12 anos) e Júbilo Jacobino (percussão).

15 de novembro de 2006

Um poema infantil, o último


Quando a hora demora

Uma aula depressa
a mão não agüenta
e logo começa
a riscar desatenta.
.....Uma aula de pressa
.....é a mão que vai lenta.

A hora demora!

E a mente não mente:
de espaço em espaço,
o braço dormente
já sente o cansaço.
.....A gente se sente
.....a um passo do espaço.

A hora demora.

Os olhos, no fundo,
tão logo relaxam,
se perdem do mundo
e não mais se acham.
.....E, do alto do estudo,
.....as pálpebras baixam.

A hora demora...

..........Fábio Aristimunho

13 de novembro de 2006

Supecoisa 00

supercoisa


SUPERCOISA 00 – PROGRAMAÇÃO
http://supercoisa.blogspot.com/
dia 26/11, domingo

na Casa das Rosas


Durante o tempo todo:
- Feira de Livros da Rato de Livraria
- Rifa Literária


10h – 13h: Oficinas

- Oficinas de Poesia e Palíndromo
Fábio Aristimunho e Guilherme Almeida de Almeida.

- Oficina de Contos
Com Ivana Arruda Leite (a confirmar)

- Oficina: Blog e Literatura
Com Roberto Taddei


COISAS

14h: Fazer sua própria Publicação
Lançamento do livro de Dona Faleiros
Albano Martins Ribeiro
Bactéria
Claudinei Vieira
Cristian de Nápoli
Cristiane Lisboa
Os Maloqueiristas
Vanderley Mendonça

16h: Literatura Latino-Americana e o Muro de Tordesilhas
Lançamento da Edição Especial de O Casulo – Jornal de Poesia Contemporânea
Andreá Catropa
Camila do Valle
Marcelo Barbão
Vanderley Mendonça
Virna Teixeira

18h: Troca-Troca
Quem quiser participar, traga um texto que caiba em 1 folha sulfite. Leremos/discutiremos textos um do outro. Quem sabe não sai uma publicação?

20h: ASSEMBLÉIA GERAL


12 de novembro de 2006

Halloween

..........Certa noite eu sonhei

que embaixo da cama havia um monstro medonho.

..........Acordei assustado,

........e fui olhar: de fato,

embaixo da cama estava um monstro medonho.

..........Ele me viu, sorriu

e me disse, gentil:

“Durma! Sou apenas o monstro dos seus sonhos.”



quatro historinhas de terror, de josé paulo paes
in "é isso ali", ed. salamandra, rio de janeiro, 2003
fotos: iii festa de halloween de cíntia e jeff
, 11/11/06



11 de novembro de 2006

Versos satyriânicos


L’ÊTRE AVANT LA LETRE


....la vie en close

c´est une autre chose

c´est lui

......c´est moi

............c´est ça

....c´est la vie des choses

....qui n´ont pas

................un autre choix


poema de paulo leminski
sobre fotos das satyrianas
(2-5/11/06)




9 de novembro de 2006

Ai meu bolso!


VIII Festa do Livro da USP

22 a 24 de novembro
Cidade Universitária - FFLCH/USP
70 editoras, descontos de 50% ou mais.

5 de novembro de 2006

Poesia infantil, ainda


A estrelinha

Eu vi uma estrelinha
no céu a cintilar.
Brilhou o quanto tinha,
que encheu o meu olhar.
Mais clara que as vizinhas,
mais suave que o luar:
eu vi uma estrelinha
no céu a cintilar.

Mas como eu nunca tinha
mais olhos pra lhe dar
deixei minha estrelinha
no dia se apagar,
e se hoje não é minha,
se brilha em outro olhar,
é que de tão sozinha
se ofuscou, e a achou um par.

O mar então me vinha
às pálpebras salgar
depois (que noite a minha)
de olhar o céu e o ar:
qual nunca eu visto tinha,
brilhando sem parar,
vi duas estrelinhas
no céu a namorar.

.....Fábio Aristimunho

2 de novembro de 2006

Satyrianas 2006

Local: Café dos Satyros I - Pça. Roosevelt, 214
Tema: O Eu e o Outro
www.satyros.com.br


Café Literário - 10h

Dia 3.11 - sexta-feira
Antonio Vicente Pietroforte
Del Candeias
Fábio Aristimunho

Dia 4.11 - sábado
Paulo Ferraz
Heitor Ferraz
Lilian Aquino

Dia 5.11 - domingo
Ivana Arruda Leite
Victor del Franco
Andréa Del Fuego

Poesia ao Entardecer - 17h

Dia 3.11 - sexta-feira
Homenageado: Marcelo Montenegro
Ademir Assunção
Eduardo Lacerda

Dia 4.11 - sábado
Homenageado: Sérgio Mello
Claudinei Vieira
Dona Faleiros

Dia 5.11 - domingo
Cristian de Nápoli (poeta argentino)
Dirceu Villa
Virna Teixeira

1 de novembro de 2006

o pulsar



..........onde quer que você esteja

..........em marte...

.......................ou eldorado

..........abra a janela e veja

..........o pulsar quase mudo

..........abraço de anos luz

..........que nenhum sol aquece

..........e o oco/eco escuro esquece


Augusto de Campos
acrílica sobre tela de PauloM

29 de outubro de 2006

De novo poesia infantil

Mais um poema da série poesia infantil para adultos infames. Se ninguém lembra (ou ninguém viu), faz um tempo eu postei aqui o poema da nuvem, dessa mesma série.

Carpe diem


Cantiga do insone

– Carneirinhos, carneirinhos,
de onde é que vocês vêm?
(Eram quatro carneirinhos
que pulavam muito bem.)

Um carneirinho brincando,
dois carneirinhos correndo,
três carneirinhos pulando
o cercado da fazenda!

Mas o quarto carneirinho
tinha medo de errar,
preferia estar sozinho,
não queria nem tentar.

– Vem com a gente, carneirinho!
Quero ver você também!
Pula, pula, carneirinho,
que esse sono não me vem.

– Carneirinhos, carneirinhos,
aonde é que vocês vão?
Carneirinhos, carneirinhos,
vão pulando o meu colchão...

.....Fábio Aristimunho

25 de outubro de 2006

Balada da Balada Literária

Da Balada Literária eu só peguei a balada. Literatura zero: não vi nenhuma mesa, nenhum livro, nenhum piti de poeta. Mas quem pode falar com conhecimento de causa são o Peixe de Aquário e o Fotón; já a mim só cabe difamar o filme alheio com a minha lente.

Sábado à noite? Que sábado à noite?...

escadinha

como sinuqueiros dão mesmo é pra poeta

"ra-ra-ra, Bagathielasch vai ficar!"

muvuca

sim, HA existe

Copan? que Copan?

18 de outubro de 2006

Palindroemas

Admito: sou um fanático por palíndromos. Palindromaníaco mesmo. Até já pensei em fundar uma associação de palindromistas anônimos (A.P.A.)!...

Compulsão à parte, sempre achei que alguns palíndromos, por sua expressividade sintética, são como versos avulsos, verdadeiros poemas de um verso só.

Partindo dessa idéia, experimentei juntar palíndromo com poesia e ver no que é que dá. O resultado aí está: arte-letra.

Ame o poema!


PALINDROEMAS

1. pessoana
a ira cá bate: tabacaria

2. depois do porre
– aí, dr., ardia

3. mistério no escritório
memos somem...

4. quem foi?
eu que.

5. Luana vai à aula
aula da nula, aluna da lua

6. pontinho verde na frente do presídio?
– ah, livre ervilha!

7. a idade da farra
(a da fase safada)

8. paradoxo da ilha deserta
anotem: meto na...

9. direção ofensiva (e homofóbica)
errado dar ré

10. mpb
a letra é arte lá

11. fome zero
o spa local a colapso

12. terra
mesmo com, sem

.....Fábio Aristimunho

16 de outubro de 2006

Paulo Ferraz rompe o silêncio

Nesta terça-feira 17/10, o amigo e poeta Paulo Ferraz, autor de Constatação do Óbvio, será o entrevistado do projeto Rompendo o silêncio. E é claro que o medianeiro estará presente, aguardem-se as fotos!

*

Rompendo o Silêncio, com Paulo Ferraz
17/10, terça-feira, a partir das 19h
Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Literatura e Poesia
Avenida Paulista, 37

15 de outubro de 2006

A vida como um quarto de hotel


A FLAP continua rendendo frutos: no sábado (re)conheci a blogueira e prosadora Victoria Saramago, que eu já tinha visto na FLAP-Rio, em julho. Ela veio a São Paulo com uns amigos – em especial o Renan Ji, que é das Letras, gente boa – para a Bienal e demais circuito museológico-cultural.

O blog da Victoria dá voz a um quarto de hotel da Rua da Glória, no Rio, tudo a pretexto de cronicar e resenhar, refletindo coisas como Plutão, um livro do Mirisola e a vida alheia. Bem legal.

Na foto, um atestado da hospitalidade dos “paulhischtasch” aos colegas flapeanos que não hesitam em se socorrer da gente: Geraldo, Victoria, Renan, Ju e Fábio no Dedo de la chica (só faltou o Caqui, que logo depois seria acordado e convocado para o narguilê).

Não somos todos, afinal, como pequenos quartos de hotel à espera de hóspedes que paguem nossa diária? Sendo assim, espero que a estada três estrelas tenha sido boa, já confirmando minha reserva no Rio para breve! rs

Carpe diem, e até o próximo narguilê.

11 de outubro de 2006

Fotos do lançamento

Conforme anunciado, ontem foi o lançamento do Oitavas, o mais recente título do selo Demônio Negro, que manteve o belíssimo padrão artesanal.

Sobre a literatura artesanal, aqui tem um artigo bem legal a respeito.

Fotos de ontem, na Casa das Rosas:

as testemunhas

Paulo Ferraz

Elisa Buzzo, Victor Del Franco, Ana Rüsche e Vanderley Mendonça

Parabéns mais uma vez aos responsáveis por essa bela edição, aguardando ansiosamente pelos próximos títulos!

10 de outubro de 2006

Lançamento hoje

É hoje o lançamento do Oitavas, antologia de poetas contemporâneos do Selo Demônio Negro: Casa das Rosas (Av. Paulista, 37), a partir das 19h. Não percamos!

6 de outubro de 2006

Dia(s) do poeta

Existe dia pra tudo, se pra tudo existe um dia. Até o poeta (olha o palíndromo!) tem seu dia. Mas que todo dia devia ser dia do poeta, alguns talvez dirão; já outros, com complexo de cacto, diriam certamente que nenhum dia é bom pra ser poeta, hoje em dia. O fato é que existem nada menos que dois dias do poeta no calendário oficial, ambos no mês de outubro: um regional e tradicional, dia 4, e outro “mundial”, dia 20. Não faço idéia do porquê dessas datas.

Eis que no dia 4 recebo um telefonema da minha irmã Tania, de Foz do Iguaçu, me dando parabéns pelo dia e pela entrevista no jornal. Entrevista? Que eu soubesse não tinha dado, pelo menos não sóbrio. Mando um e-mail para o jornal e descubro que a Daniela Valiente, simpatissíssima jornalista da pauta cultural, reaproveitou umas partes da entrevista que fizemos no ano passado, quando lancei meu Medianeira em Foz. Ah, bom.

Assim, em atrasada (ou adiantada) lembrança ao dia do poeta, reproduzo a seguir a íntegra do referido artigo, já agradecendo à autora pelo inesperado recuerdo.

Carpe diem!

*

No Dia do Poeta, escritores ensinam como fazer um belo verso cheio de sentimentos

Daniela Valiente

Um poeta é um homem trancado dentro de um mundo, disse uma vez um pensador. Mas esse mundo não é o mesmo de todos. Ele traz a força de muitas palavras e o talento de colocá-las a serviço dos sentimentos. No Dia do Poeta, o Caderno 2 faz uma homenagem a todos os poetas que vivem nesse mundo tão cheio de realidade , e mesmo assim conseguem fazer do silêncio, uma bela e fina prosa.
Para fazer poesia, o escritor pode tentar seguindo algumas regras, mas geralmente ela surge num impulso. Não havendo receita para colocar as palavras de acordo com o que se sente, é preciso sensibilidade. Para cada poeta descoberto, e não citamos os medalhões, basta um sentimento, para fazer aflorar, versos, estrofes e rimas.
Cada qual com sua técnica, afirmam para fazer poesia é preciso estar distraído, tal como fez Clarice Lispector. Para a poetisa Jeane Hanauer, a poesia a tomo de assalto, numa espécie de susto, “quando dei por mim já havia escrito”. Sensível, ardente, feminina e voraz, as palavras trouxeram a Jeanne a possibilidade de expressar o turbilhão de diferentes sentimentos.
Como marca registrada, o poeta revela-se através de suas intenções. Como fez o poeta Nilton Bobato, ao revelar; “a poesia é praga que gruda na gente”. E gruda mesmo, como um uma tatuagem inacabada, precisa sair de dentro de cada um para ver sua imagem estampada no papel.Sem tempo marcado, a poesia, ou a vontade em se fazer poesia surge em momentos inesperados e até mesmo sem nenhum conhecimento sobre a técnica é preciso ter e papel e caneta por perto.
Marizete Zanon, poetisa premiada diz ter começado com essa amizade muito cedo. “Comecei a me interessar por poesia aos sete anos de idade”, comenta. Mas o gosto surgiu prematuro porque veio de dentro de casa. Seu avô gaúcho era poeta e trovador e foi o único a incentiva-la. “Ninguém dava bola”, lembra bem humorada. Hoje muito mudou em sua poesia. “Teve o amadurecimento do sentimento. Hoje a poesia é minha confissão”.
Por tocar em diversos temas, a poesia, segundo Marizete possibilita a conversa íntima de assuntos que vão do romantismo ao épico, do lírico ao social.
A poetisa teve na formação de seus versos uma ajuda muito especial além do avô. Mário Quintana. “Lia muito o que ele escrevia toda vez que podia passava em frente da casa dele em Porto Alegre. Sempre estava lá sentado na varanda”, lembra. Mas a aproximação nunca passou de longos olhares da adolescente. “Eu ficava olhando, mas ele era muito mal humorado”.
Quintana sabia o que fazia, e quem influenciava. Ele mesmo escreveu: “eu sou um homem fechado. O mundo me tornou egoísta e mau. E a minha poesia é um vício triste, desesperado e solitário. Que eu faço tudo por desabafar”.
Marizete aprendeu a lição e hoje confirma que para se fazer poesia , seguindo uma receita, basta misturar sofrimento, à alegria, à guerra de convenções e uma pitada de ironia.
Outro poeta, Fábio Aristimunho Vargas, revela o mesmo sentimento ao declarar que a poesia depois de pronta cria vida. “Ela cria independência. É o receptor que define seu valor e sua função. Afinal poesia é uma necessidade intrínseca, por ser arte não tem valor em si, ela envolve um complexo de valores humanos. Por isso não se pode dizer que é boa por isso ou por aquilo”.
Portanto não basta vontade é preciso permanecer intocável pelas partículas mínimas de sentimento que formam a poesia. Não basta querê-la é preciso também merecê-la.Na doce ou ardorosa convivência entre poeta e composição, Quintana também ensina mais uma lição; “Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...”.

(Gazeta do Iguaçu, 04 de outubro de 2006)

5 de outubro de 2006

Lançamento – Oitavas

Nessa coletânea estarão, entre outros, os amigos/poetas Ana Rüsche, Paulo Ferraz, Victor Del Franco e Elisa Buzzo. O editor é o catalanófilo Vanderley Mendonça. Imperdível!


Aguardem para breve a coletânea de traduções do selo Demônio Negro, de que fará parte o medianeiro que aqui escreve.

Ainda Quevedo

Mais uma transversão:

Ensina a morrer antes e que a maior parte da morte é a vida e esta não se sente, e a menor, que é o último suspiro, é a que dá pena

Trad. Fábio Aristimunho

Senhor Dom João, como só em febre ateias
algum calor ao sangue desmaiado,
que, pela muita idade, consternado,
treme, e não pulsa, entre artéria e veias,

pois de neve as cimeiras estão cheias,
o sorriso, dos anos saqueado,
o olhar, doente, em noite sepultado,
e as forças andam a exercício alheias,

caminha a receber a sepultura,
acariciar o túmulo e o lamento,
que morrer vivo é a última ventura.

Da morte a maior parte é um momento
que se passa entre risos e loucura,
e à menor se destina o sentimento.


O original:

Enseña a morir antes y que la mayor parte de la muerte es la vida y esta no se siente, y la menor, que es el último suspiro, es la que da pena

Francisco de Quevedo

Señor don Juan, pues con la fiebre apenas
se calienta la sangre desmayada,
y por la mucha edad, desabrigada,
tiembla, no pulsa, entre la arteria y venas;

pues que de nieve están las cumbres llenas,
la boca, de los años saqueada,
la vista, enferma, en noche sepultada,
y las potencias, de ejercicio ajenas,

salid a recibir la sepoltura,
acariciad la tumba y monumento;
que morir vivo es última cordura.

La mayor parte de la muerte siento
que se pasa en contentos y locura,
y a la menor se guarda el sentimiento.

1 de outubro de 2006

Notícia de Nabokov

Extraído do livro Medianeira, p. 38.

Notícia de Nabokov

Caçador mata vovó e come a chapeuzinho.
A menina deu
a cestinha
para o lobo-mau.