18 de janeiro de 2007

Epitáfios a Landor

Traduzir poesia é, como se diz, um verdadeiro exercício de criação. Só por meio da recriação/transcriação é possível enxergar pelo olhar do outro, ainda mais quando esse outro lhe é tão distante. E transplantar de uma outra para a nossa própria cultura o seu modo de ver o mundo, estabelecendo pontes de contato, não é só uma forma de ver o outro, mas também de enxergar a nós mesmos.

Em 2005 eu e uns amigos aceitamos o desafio proposto pelo Nelson Ascher de traduzir Epitaph, de Walter Savage Landor, para o português. Desafio aceito, apresento aqui o resultado do nosso exercício coletivo de recriação/recreação. Veja-se que as traduções resultantes são tão variadas, e ao mesmo tempo tão próximas, quanto o são as vozes que lhes deram forma - eis a maravilha da poesia traduzida!


Epitaph

I strove with none, for none was worth my strife.
Nature I loved and, next to Nature, Art:
I warm'd both hands before the fire of life;
It sinks, and I am ready to depart.

(Walter Savage Landor)



Seis epitáfios a Landor

1...Às rixas sem valor não sucumbi.
....Amei a natureza e, como a ela, à arte:
....Mãos no fogo da vida, me aqueci;
....Ele se expira, e parto - sem alarde.
...............(Geraldo Vidigal Neto)

2...Não lutei, pois ninguém o merecia.
....Natureza e arte amei, não sem porfia:
....As mãos fiz quentes no fogo da vida;
....Ele se esvai; eu me apronto à partida.
...............(Guilherme Almeida de Almeida)

3...Sem inimigos, ninguém fez por onde.
....Amante da arte e, mais, da Natureza:
....A vida pelo meu calor responde,
....Cessada a fonte, parto com presteza.
...............(Paulo Ferraz)

4...De ninguém discordei: discordar não valia.
....A Natureza amei, assim como amei a Arte.
....A Vida, cujo ardor minhas mãos aquecia
....E que agora se esvai, diz-me: - Estás pronto. Parte!
...............(Paulo Moura)

5...Sem rivais, com ninguém me desavim.
....Amei a Arte e, além dela, a Natureza.
....Me acolchoei na vida - chama acesa;
....tão logo esfrie, eis quando parto enfim.
...............(Fábio Aristimunho)

6...Não criei rivalidades, pois não vi rivais.
....Amei as Artes muito e a Natureza, mais.
....Quem me aqueceu as mãos foi o calor da vida.
....Sua chama expira: não me atrasem a partida.
...............(Nelson Ascher)


P.s.: Convido você a fazer a sua própria tradução do poema e partilhar aqui com a gente.

16 de janeiro de 2007

O Código Mio Cid

Sempre ouvi de amigos hispânicos que o português para eles soava como um espanhol com arcaísmos. Sabia que essa impressão deles tinha algum fundo de verdade, afinal a recíproca é meio verdadeira, mas só tive a exata dimensão disso quando comecei a ler o Cantar de Mio Cid.

É um poema épico, o único épico da Idade Média hispânica e o primeiro em língua vulgar, com cerca de 3.700 versos em rimas assonantes e temática de romance de cavalaria. Seu autor é desconhecido, tendo sido escrito provavelmente entre os sécs. XII e XIII. O único manuscrito conservado data do Séc. XIV, faltando algumas páginas, entre elas a primeira.

O poema narra as façanhas de Rodrigo Díaz Vivar (1043-1099), o mio Cid do título, figura histórica da época da Reconquista. Mio era uma espécie de pronome de tratamento medieval, relacionado ao sistema de vassalagem – mio Cid era, literalmente, "meu" Cid, "meu senhor" Cid.

Tenho comigo duas edições: a da Editora Planeta, organizada por Colin Smith, uma das mais conceituadas, que traz diversas notas e um longo ensaio introdutório muito bom, e uma edição argentina, que traz o texto adaptado para o espanhol moderno, o que facilita bastante a vida do leitor leigo como eu.



O texto original é repleto de grafias que, para um nativo de língua espanhola, certamente devem lembrar mais o português moderno do que o espanhol. Fiz um rápido levantamento de algumas ocorrências que corroboram com essa impressão:

- palavras que ainda não tinham perdido o F inicial, o que viria a ocorrer posteriormente, ao que me consta por influência do basco: fablar (hablar), fazer (hacer), fermoso (hermoso), fartar (hartar), fijo (hijo), ferir (herir);

- ocorrência do cê-cedilhado: braços (brazos), calças (calzas), cabeça (cabeza);

- ocorrência de duplo S: assí (así), fuessen (fuesen), esso (eso), passar (pasar), missa (misa);

- palavras iniciadas em QUA, praticamente inexistentes em espanhol moderno: quanto (cuanto), quando (cuando);

- troca de B por V: cavallo (caballo), davan (daban);

- certas formas verbais: darvos (daros), mandavan (mandaban);

- em algumas poucas palavras, ocorrência do O grave em vez do ditongo UE: esforço (esfuerzo);

- outras palavras com grafia próxima do português: dexar (dejar), ovir (oír), agora (ahora).

Vê-se que meus amigos têm alguma razão quando dizem que o português parece – ao menos para o ouvido deles, hispânicos – um espanhol arcaizante.

Aproveito para registrar também alguns topônimos que aparecem no Mio Cid, que nada têm a ver com o português mas que são bastante representativos da evolução sofrida pela língua espanhola: Guadalfajara (Guadalajara), Castiella (Castela), Valençia (Valencia), Fariza (Ariza), Fenares (Henares), Sancti Yaguo (Santiago), Atineza (Atienza).

Destaque para um topônimo que me deixou bastante intrigado, que aparece neste verso:

¡d'aqueste acorro.....fablará toda Espanna!
[“deste feito.....falará toda a Espanha!”] - 23ª tirada

Veja só. Ao contrário do que sempre pensei, a Espanha não é uma invenção dos reis católicos, que ao consolidar o estado nacional espanhol teriam artificialmente invocado a Hispania romana para justificar algum direito territorial e ancestral sobre a península. Como o verso demonstra, o sentimento de "hispanidade" já era de alguma forma sentido pelo menos três séculos antes!

Termino arriscando uma tradução da tirada (grupo de versos com uma mesma rima assonante) inicial do poema, apoiado obviamente na versão adaptada que tenho em mãos.

De los sos ojos.....tan fuerte mientre lorando
tornava la cabeça.....y estava los catando.
Vio puertas abiertas.....e uços sin cañados,
alcandaras vazias.....sin pielles e sin mantos
e sin falcones.....e sin adtores mudados.
Sospiro mio Çid.....ca mucho avie grandes cuidados.
Ffablo mio Çid.....bien e tan mesurado:
«¡Grado a ti, señor,.....padre que estas en alto!
¡Esto me an buelto.....mios enemigos malos!»

Dos seus olhos.....tão fortemente chorando
voltava a cabeça.....e os estava olhando.
Viu portas abertas.....e trancas sem cadeados,
suportes vazios.....sem peles e sem mantos
e sem falcões.....e sem açores mudados.
Suspirou meu Cid.....por ter grandes cuidados.
Falou meu Cid.....bem e tão ponderado:
"Bendito sede, Senhor,.....pai que estai no alto!
Isto me foi tramado.....por meus inimigos malvados!"

Para acessar o Cantar de Mio Cid, neste link está a íntegra da edição de Colin Smith.

14 de janeiro de 2007

Mais do mesmo

Já notei que em outras línguas latinas - espanhol e catalão, mais especificamente - também ocorre o fenômeno de empregar "o mesmo" e seus derivados em substituição a pronome pessoal ou demonstrativo (ele, ela, esse, aquele...), o que em português é considerado incorreto. [veja-se a penúltima postagem]

Por isso pergunto: por não ser um fenômeno exclusivo do português, senão talvez uma tendência geral das línguas ibéricas, não seria lícito supor que esse emprego talvez não seja assim tão equivocado? Será que o próprio "DNA" da língua não autoriza o uso de "o mesmo" em substituição a pronome pessoal ou demonstrativo?

A seguir estão alguns exemplos do emprego de "o mesmo" em outras línguas em substituição a pronome pessoal ou demonstrativo. Se alguém encontrar mais exemplos como esses em outras línguas, por favor compartilhe aqui.

*

- Espanhol

Norma da Comissão das Comunidades Européias: "Reglamento (CEE) nº 1251/70 de la Comisión, de 29 de junio de 1970, relativo al derecho de los trabajadores a permanecer en el territorio de un Estado miembro después de haber ocupado un empleo en el mismo."

Norma do Principado de Astúrias: "Este acto pone fin a la vía administrativa y contra el mismo cabe interponer recurso".

- Catalão

Art. 3 da Constituição Provisória da República Catalã, redigida em 1928 em Cuba pela assembléia separatista: "La bandera oficial de la República Catalana és la històrica de les quatre barres roges damunt de fons groc, amb l'addició, en la part superior, d'un triangle blau i estrella blanca de cinc puntes al centre del mateix." *

(*)"A bandeira oficial da República Catalã é a histórica de quatro barras vermelhas sobre fundo amarelo, com a adição, na parte superior, de um triângulo azul e uma estrela branca de cinco pontas no centro do mesmo."

8 de janeiro de 2007

Solecismos ou Um dicionário no elevador

Definição do Houaiss: "solecismo - intromissão, na norma culta de uma língua, de construções sintáticas alheias à mesma, ger. por parte de pessoas que não dominam inteiramente suas regras". Será que o Houaiss quis dar um exemplo prático de solecismo no próprio verbete?

Lembremo-nos da infame plaquinha dos elevadores de São Paulo: "Antes de entrar no elevador verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar". O mesmo empregado como pronome é só um dos elementos que compõem essa aberração pictórica.

Eu tenho medo do mesmo!, já dizia a comunidade do orkut. Isso me lembra um poema alheio do saudoso Wallace O'Brian:

ATLAS

Verfique se o mesmo
encontra-se parado.


Numa primeira leitura, o poema talvez remeta apenas à referida plaquinha de elevadores, mas não se engane. Trata-se na verdade de uma invocação ao grande titã condenado a sustentar o mundo nas costas, como se lhe dissesse: "constate, Atlas, a partir de sua perspectiva constelativa, como a mesmice permanece apesar das voltas que o mundo dá!".

Essa interpretação do poema, estritamente literal, só é possível (mas não a única possível) se forem evitados os solecismos do texto original. Sem isso, o que nos resta é um dicionário dentro do elevador - metáfora para os altos e baixos da nossa língua, quando não da nossa lexicografia.

6 de janeiro de 2007

Do Romanceiro Gitano

Um pouco de Lorca (1898-1936).


A casada infiel

.....A Lydia Cabrera
.....e à sua negrinha


E eu que a levei até o rio
achando que era donzela,
mas ela tinha marido.
Foi na noite de Santiago
e quase por compromisso.
Apagaram-se os lampiões
e se acenderam os grilos.
Pelas últimas esquinas
toquei seus peitos dormidos,
que a mim se abriram de pronto
como ramos de jacintos.
A goma de sua anágua
ao meu ouvido soava
como uma peça de seda
lacerada por dez facas.
Sem luz de prata nas copas
as árvores têm crescido,
e um horizonte de cães
ladra bem longe do rio.

*

Passadas as amoreiras,
os juncos e os espinheiros,
para abrigar seus cabelos
fiz um ninho sobre o limo.
Eu tirei minha gravata.
Ela tirou o vestido.
Eu, o cinto com revólver.
Ela, seus quatro corpetes.
Nem flores nem caracóis
têm uma pele tão fina,
nem os cristais sob a lua
resplendem com um tal brilho.
Suas coxas me escapavam
como peixes surpreendidos,
metade cheias de luz,
metade cheias de frio.
Naquela noite trilhei
dos caminhos o melhor,
montado em potra de nácar
sem rédeas e sem estribos.
Não vou dizer, por ser homem,
as coisas que ela me disse.
A luz do entendimento
me faz ser mais comedido.
Suja de beijos e areia
levei-a embora do rio.
Ao vento se digladiavam,
no ar, as espadas dos lírios.

Portei-me como quem sou.
Como um gitano legítimo.
Dei-lhe um cesto de costura
grande, de raso palhiço,
e não quis me enamorar
porque, tendo ela marido,
me disse que era donzela
quando a levava até o rio.

.....trad. Fábio Aristimunho


La casada infiel

.....A Lydia Cabrera
.....y a su negrita

Y que yo me la llevé al río
creyendo que era mozuela,
pero tenía marido.
Fue la noche de Santiago
y casi por compromiso.
Se apagaron los faroles
y se encendieron los grillos.
En las últimas esquinas
toqué sus pechos dormidos,
y se me abrieron de pronto
como ramos de jacintos.
El almidón de su enagua
me sonaba en el oído,
como una pieza de seda
rasgada por diez cuchillos.
Sin luz de plata en sus copas
los árboles han crecido
y un horizonte de perros
ladra muy lejos del río.

*

Pasadas las zarzamoras,
los juncos y los espinos,
bajo su mata de pelo
hice un hoyo sobre el limo.
Yo me quité la corbata.
Ella se quitó el vestido.
Yo el cinturón con revólver.
Ella sus cuatro corpiños.
Ni nardos ni caracolas
tienen el cutis tan fino,
ni los cristales con luna
relumbran con ese brillo.
Sus muslos se me escapaban
como peces sorprendidos,
la mitad llenos de lumbre,
la mitad llenos de frío.
Aquella noche corrí
el mejor de los caminos,
montado en potra de nácar
sin bridas y sin estribos.
No quiero decir, por hombre,
las cosas que ella me dijo.
La luz del entendimiento
me hace ser muy comedido.
Sucia de besos y arena
yo me la llevé del río.
Con el aire se batían
las espadas de los lirios.

Me porté como quién soy.
Como un gitano legítimo.
La regalé un costurero
grande, de raso pajizo,
y no quise enamorarme
porque teniendo marido
me dijo que era mozuela
cuando la llevaba al río.

.....Federico Garcia Lorca

4 de janeiro de 2007

Una altra Lorelei, si us plau

Miquel de Palol (1953- ) é um poeta e prosador catalão, autor de uma vasta obra da qual se destacam os livros El porxo de les mirades (poesia, 1983) e El jardí dels set crepuscles (novela, 1989), ganhadores de diversos prêmios. A Lorelei do título do poema abaixo se refere, suponho, à lenda de uma donzela que se atira de um penhasco por causa de um amor não correpondido e se torna uma sereia cujo canto leva os pescadores à perdição, lenda ao que parece bastante conhecida no foclore e na literatura germânicos.


Salta outra Lorelei, por favor

.......Trad. Fábio Aristimunho

Eis aqui o puteiro onde
se paga para não meter.
É o convento do desprazer
que faz suplicar contra a vida.

Prepara-te, tu que entrarás
aqui, para travar esfíncteres,
ressecar epitélios, não
se rever mais na própria pele.

Aqui se corrompe o ato amável,
aqui se congela a carícia,
aqui é falseado o riso,
é liberado todo assédio.

Aspecto de segredo aqui
terão o respiro e o alento,
aspecto de veto a pergunta
e de maldição o suspiro.

Daqui já não saem projetos
que sirvam senão a castrar.
Sou o carrasco dos sorrisos,
sou o túmulo do desejo.


Una altra Lorelei, si us plau

.......Miquel de Palol

Aquesta és la casa de putes
on es paga per no follar.
És el convent del displaer
per fer resar contra la vida.

Prepara't, tu que hi has d'entrar,
a endurir esfínters, a assecar
epitelis, a no tornar-te
a veure ja mai més la pell.

Aquí es corromp el gest amable,
aquí es congela la moixaina,
aquí és burla la rialla,
és engegada la requesta.

Natura de retret aquí
respir i bleix han de tenir,
natura de vet la pregunta,
de maledicció el sospir.

D'aquí no surt mai cap projecte
que no serveixi per castrar.
Sóc l'escorxador dels somriures,
sóc el sepulcre del desig.

24 de dezembro de 2006

FESTAS BOAS!

É o que o medianeiro deseja para si e para seus amigos e leitores e leitores amigos.

Carpe diem!

21 de dezembro de 2006

Um poema alheio

Para quem não sabe o que é um poema alheio, recomendo a leitura do Manifesto da Poesia Alheia, que está no Dragão na Janela.


Poema extraído de uma resenha no jornal

Seis jovens americanos bronzeados e malhados divertem-se numa praia brasileira.
Uma das meninas decide fazer topless.
Os universitários bebem, jogam futebol e curtem amassos numa cachoeira.
Assim começa o trailer do filme Turistas, que será lançado em dezembro.

Até aí, apenas mais um filme americano de estereótipos.
Na continuação do trailer, no entanto,
percebe-se que Turistas vai um pouco além dos lugares-comuns sobre o Brasil.
“Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer”, diz o vídeo,
enquanto imagens mostram os jovens sofrerem o golpe do boa noite cinderela
e serem feitos reféns numa casa na selva...

Ridículos, esses americanos.
Sempre condescendentes demais com a própria história
e tão alheios à geografia alheia.
Ainda bem que no Brasil a gente sabe distinguir perfeitamente
a Nigéria da Costa do Marfim, a Letônia da Ucrânia e a Nicarágua da Guatemala.

18/12/2006


18 de dezembro de 2006

Marinela / O marinheiro

Mais uma transcriação de um poema basco, este do séc. XIX. O autor supõe-se que seja um pseudônimo, pois não há registro de sua vida ou de outros poemas de sua autoria. Este poema concorreu em um dos concursos promovidos pelo mecenas Anton Abbadia. Na seqüência estão a tradução para o espanhol e o original em basco.


O MARINHEIRO
.......Betiri Olhondo, 1863
.......Trad. Fábio Aristimunho


..........A minha morada,
..........ela é uma bela
paisagem. Lembra a serra arborizada.
É um palácio de vento, cidadela
de ar! São incontáveis as entradas,
..........muitas as janelas.
Quantas as frestas? Quantos corredores?
Não me preocupa o sol e seus rigores.

..........Se saúde eu tinha,
..........também propriedades:
no mar o atum, no céu as andorinhas.
De San Juan de Luz, nossa cidade,
até a América, tudo eram minhas
..........terras e vontades!
Não vai parar meu moinho a mó incauta
enquanto houver grãos: água não me falta.

..........Nas horas de ócio
..........o que me entretém
é um barco a me servir em sacerdócio.
Saber para onde vai ou se é de alguém
é algo que não me incumbe. Meu negócio
..........é o que me convém.
Não desperdiço um dia de trabalho.
Ainda mais se é de festa ou de baralho.

..........Ou morrer em terra
..........ou morrer no mar
– no fim é tudo a paz da mesma guerra.
Aquietando a alma, podem me atirar.
Se é a barriga de um peixe o que me enterra,
..........eu vou me importar?
Disso o bom marinheiro não se safa.
Mas tenho sede! Passem-me a garrafa!

..............................*

EL MARINERO
.......Betiri Olhondo, 1863
.......Traducción: Koldo Izagirre

..........Sobre una loma
..........Cubierta de robles,
Mi morada está en un bello paraje,
Vivo en un palacio de aire,
¡Son incontables sus puertas y ventanas
..........También sus troneras!
¿Cuántos pasillos?... ¡Muchas grietas!
¡No hay peligro de que me haga daño el sol !

..........Tengo salud
..........Y propiedades...
En el mar atunes, en el cielo grullas...
De San Juan de Luz hasta América
Por todas partes se extienden
..........Mis campos,
Mientras haya grano no parará mi molino,
¡Nunca me falta agua!

..........Para pasear,
..........Para distraerme,
Hay un barco a mi servicio.
De quién es y a dónde va
Es algo que no me incumbe.
..........En esas cosas
No me pierdo los días de trabajo,
Mucho menos cuando es fiesta.

..........Morir en tierra
..........O en el mar,
A fin de cuentas es lo mismo.
Si mi alma está en paz,
Que me entierren en el vientre de un pez
..........¡A mí qué me importa!
El buen marinero vive contento así.
¡Tengo sed! ¡Pasad la botella!

.........................*

MARINELA
.......Betiri Olhondo, 1863

..........Bizkar batean,
..........Haritzen pean,
Ene etxea leku ederrean,
Airezko jauregian ni nago
Zenbat ote du ate ta leiho,
..........Bai eta zilo?
Zenbat arteka?... Zirritu franko!
Udan ez nau beroak joko!

..........Badut osasun
..........Eta ontasun...
Atun itsasoan, airean lertsun...
Donibanetik Amerikara,
Ene landak alde orotara
..........Hedatzen dira,
Bihi dudano badut ihara,
Sekulan ez dut eskas ura!

..........Promenatzeko,
..........Plazer hartzeko,
Untzi bat dago ene zerbitzuko,
Norena den eta norat doan
Ez naiz sartzen xehetasun hortan.
..........Kontu hoietan
Ez naiz galtzen astelegunetan,
Gutiago besta denetan.

..........Hil leihorrean
..........Ala urean,
Deus ez du erran nahi azkenean.
Dudalarik arima bakean,
Ehortz arrain baten sabelean,
..........Ez dut axola!
Marinel ona kontent da hola.
Egarri naiz, hunat botoila!

15 de dezembro de 2006

Balada dos bascos honrados

O poema abaixo, original em basco, transcriei para o português a partir de uma tradução para o espanhol. Como se tratava de uma tradução literal, me senti à vontade para recriar o poema buscando resgatar alguns elementos do original (como rima, metro, assonâncias) que necessariamente se perderam na primeira tradução. O resultado, apesar do intuito de reaproximação, é certamente bastante diferente do poema original, uma verdadeira recriação. Mas como não cultivar a tradição do tradutore traditore?

Não coloquei o original em basco e a tradução que me serviu de apoio por uma questão de racionalidade visual e economia de espaço, mas os links estão logo abaixo do poema para quem quiser comparar.

Sobre o autor: Jon Mirande (1925 – 1972), poeta basco-francês, é considerado um dos maiores escritores da língua basca no século XX. No entanto o basco não era sua língua materna, que só foi aprender depois dos 20 anos. Traduziu diversos clássicos para o basco, como Edgar Allan Poe, Franz Kafka e Federico García Lorca. Suicidou-se, em Paris, depois de uma overdose de barbitúricos.


BALADA DOS BASCOS HONRADOS

..........(Que ao mesmo tempo é uma prece
..........dirigida ao deus basco Ortzi,
..........feita por alguém que não é honrado)


São parrudos, ágeis e afeitos
à boina; a Deus guardam respeito,
falam basco e têm voz nasal;
são muito honrados, afinal
se acham fidalgos... a despeito
de sua maneira vulgar.
(Que o deus Ortzi possa evitar
de eu como eles me comportar.)

Viviam no escuro, no início,
até a Luz cobrir seus patrícios:
Deus e a Ancestral Lei revelados.
Hoje vivem iluminados,
tão iluminados e honrados
feito democratas sem vícios.
(Que o deus Ortzi possa evitar
de eu como eles me iluminar.)

Têm uma cultura tão vasta
de contos, canções e encomiastas;
são entendidos de política,
de futebol, bailado e crítica,
sem falar na música casta.
Até o missal sabem entoar.
(Que o deus Ortzi possa evitar
de eu como eles conjecturar.)

Conhecem as contas numéricas
e se enriquecem nas Américas;
também lá são eles honrados,
reunidos em patriarcados,
apesar da aptidão genérica
de mais na igreja se juntar.
(Que o deus Ortzi possa evitar
de eu como eles ir prosperar.)

Ao casar, só se casam for-
malmente, com a bênção maior
do padre ou da autoridade,
– porque o seu bom gosto, em verdade,
é dentre todos o melhor –
com moças prendadas no altar.
(Que o deus Ortzi possa evitar
que eu como eles venha a casar.)

E quase que eu já me esquecia
de homenagear nesta poesia
sua nacional vestimenta:
a camisa branca, que ostentam
aos domingos – limpa e macia
como o seu coração a amar.
(Que o deus Ortzi possa evitar
de eu como eles não me sujar.)


OFERTA:

Assim como tu, senhor Deus
Javé, já foste dos judeus
o Senhor, e és hoje dos bascos,
que Ortzi não permita que eu,
seja quem for o meu carrasco,
acabe honrado como um basco.

..........Jon Mirande, 1950
..........Trad.: Fábio Aristimunho, 2006


- Compare com a versão em espanhol clicando aqui.
- Leia o original em basco (e entenda tudo) clicando aqui.

12 de dezembro de 2006

Um poema basco

Gabriel Aresti (1933–1975) é o poeta basco mais emblemático da geração que sucedeu à Guerra Civil espanhola. Sua poesia social e engajada rompeu com a poesia de orientação religiosa que dominava até então, com uma linguagem popular e alegorias de apreensão imediata, sempre em defesa da luta social. O próprio poeta, em conformidade com a tradição da literatura basca, costumava fazer versões de sua obra para o espanhol. O poema abaixo é um dos mais conhecidos.

Aproveito para agradecer ao Josune Olabarria, da Euskaltzaindia - Real Academia de la Lengua Vasca, que num e-mail supersimpático me deu importantes orientações sobre a literatura basca.

A CASA DE MEU PAI

Gabriel Aresti, 1963
trad. Fábio Aristimunho


Defenderei
a casa de meu pai.
Contra os lobos,
contra a seca,
contra a usura,
contra a justiça,
defenderei
a casa
de meu pai.
Perderei
o gado,
as plantações,
os pinheirais;
perderei
os juros,
as rendas,
os dividendos,
mas defenderei a casa de meu pai.
Me tirarão as armas
e com as mãos defenderei
a casa de meu pai;
me cortarão as mãos
e com os braços defenderei
a casa de meu pai;
me deixarão
sem braços,
sem ombros
e sem peitos,
e com a alma defenderei
a casa de meu pai.
Morrerei,
a minha alma se perderá,
a minha prole se perderá,
mas a casa de meu pai
permanecerá
em pé.


Os originais:

NIRE AITAREN ETXEA

Gabriel Aresti, 1963

Nire aitaren etxea
defendituko dut.
Otsoen kontra,
sikatearen kontra,
lukurreriaren kontra,
justiziaren kontra,
defenditu
eginen dut
nire aitaren etxea.
Galduko ditut
aziendak,
soloak,
pinudiak;
galduko ditut
korrituak,
errentak,
interesak,
baina nire aitaren etxea defendituko dut.
Harmak kenduko dizkidate,
eta eskuarekin defendituko dut
nire aitaren etxea;
eskuak ebakiko dizkidate,
eta besoarekin defendituko dut
nire aitaren etxea;
besorik gabe,
sorbaldik gabe,
bularrik gabe
utziko naute,
eta arimarekin defendituko dut
nire aitaren etxea.
Ni hilen naiz,
nire arima galduko da,
nire askazia galduko da,
baina nire aitaren etxeak
iraunen du
zutik.


LA CASA DE MI PADRE

Gabriel Aresti, 1963

Defenderé
la casa de mi padre.
Contra los lobos,
contra la sequía,
contra la usura,
contra la justicia,
defenderé
la casa
de mi padre.
Perderé
los ganados,
los huertos,
los pinares;
perderé
los intereses,
las rentas,
los dividendos,
pero defenderé la casa de mi padre.
Me quitarán las armas
y con las manos defenderé
la casa de mi padre;
me cortarán las manos
y con los brazos defenderé
la casa de mi padre;
me dejarán
sin brazos,
sin hombros
y sin pechos,
y con el alma defenderé
la casa de mi padre.
Me moriré,
se perderá mi alma,
se perderá mi prole,
pero la casa de mi padre
seguirá
en pie.

11 de dezembro de 2006

Sarau da meia-noite na Rave Cultural

Estive no sarau da meia-noite, na rave Cultural da Casa das Rosas. Não vi muitas coisas mais, e quem viu disse que a rave foi animal, digna de reprise. Assim aguardamos.

Alguns registros do sarau:

autores convidados: Marcelino Freire, Dony Correia, Del Candeias, Luiz Roberto Guedes, Lílian Aquino, Geraldo Vidigal Neto (representando Ana Rüsche e a si mesmo), Fábio Aristimunho, Victor Del Franco, Paulo Ferraz e o zoom do Claudinei Vieira, Horácio Costa e Fabiana Faleiros

o respeitável público da madrugada

9 de dezembro de 2006

Bandeira revisitado

Manuel Bandeira lendo Evocação do Recife. Ouvir essa gravação foi um choque e uma surpresa, que me deram uma visão totalmente nova de um poeta que sempre considerei o catalizador da minha formação e do meu gosto pela poesia. [ouça aqui]

Descobri que o Bandeira tinha uma leitura mais firme e mais contida do que sempre imaginei, principalmente por causa do lirismo da sua poética. É uma leitura que chega a ser áspera até, mas ao mesmo tempo também uma leitura natural, espontânea, que não passa qualquer traço de afetação.

Essa e outras leituras estão no CD que acompanha a antologia “50 poemas escolhidos pelo autor”, que a Cosac Naify acaba de lançar a 55 reais (pena que não vi com desconto na Festa do Livro da USP). A antologia foi organizada pelo próprio Bandeira na década de 50 e as gravações, 29 poemas ao todo, foram feitas para o Selo Festa, que lançou originalmente na forma de três elepês.

Sobre o poema em si, além da parte em que o Bandeira entoa uma cantiga de roda (“Roseira dá-me uma rosa / Craveiro dá-me um botão”), tem um outro trecho que eu acho bastante emblemático:

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
.......Ao passo que nós
.......O que fazemos
.......É macaquear
.......A sintaxe lusíada

Como não concordar com a beleza da fala do povo, a beleza do nosso português com açúcar? É uma visão essencialmente literária, de validade atemporal. O risco é encarar o trecho sob o aspecto científico, concordando com a afirmação equivocada de que no Brasil falaríamos uma versão distorcida da sintaxe lusitana – ou então cair no outro extremo, achando que tudo é legitimado na fala do povo (vide Bagno).

Bandeira, como os modernistas em geral, dava voz às teorias dos movimentos que pregavam um "Brasil lingüisticamente independente", que à época tinham já sido superadas no meio acadêmico mas que só então começavam a ser tomadas de bandeira nas esteiras dos movimentos culturais.

A exaltação dos valores locais era sim importante numa época em que o país passava por um processo de autoafirmação como nação, aos 100 anos de independência, e evidentemente nesse pacote entrava também a exaltação à fala coloquial brasileira.

Foi com o Modernismo que a literatura passou a ter um papel ativo no nascente projeto de desenvolvimento nacional (e a partir dele sempre se manteve em compasso firme com esse projeto, pelo menos até o Concretismo). Nesse contexto, era natural que os artistas dessem voz a teorias sobre a variante brasileira da língua, até então restritas ao meio acadêmico.

Pois foi a partir da exaltação à fala brasileira por parte de poetas como Mário de Andrade, Oswald e Drummond, além do próprio Bandeira, que os brasileiros conseguimos superar definitivamente o complexo de inferioridade e a culpa por não seguirmos à risca a norma portuguesa.

A lingüística pode ter assentado as bases teóricas da norma brasileira, mas foram os poetas de 22 que transpuseram a barreira cultural. Isso fica cristalino em Bandeira, para quem o povo, com sua língua certa e errada, “é que fala gostoso o português do Brasil”.

Reler Bandeira, para mim, é sempre uma experiência de reencontro; ouvi-lo então, pela primeira vez, é uma peripécia que me fez rever conceitos – o que está só começando, pois ainda falta ouvir os outros 28 poemas.

(Bem que a Cosac Naify podia mandar o livro para uma análise crítica do medianeiro.)

Carpe diem!

Rave Cultural na Casa das Rosas

Hoje: comemoração dos 2 anos do Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

Estaremos no sarau da meia-noite, pretendendo chegar ao café da manhã!





5 de dezembro de 2006

Vêm aí: bolsas de criação literária da Petrobras e do Minc

Já faz um tempo tenho acompanhado as discussões sobre políticas públicas para a literatura, mas pouca coisa concreta vi surgir desde o pontapé inicial, até que neste segundo semestre as coisas começaram a mudar.

Pelo que me consta, o pedala-robinho das políticas públicas para a literatura partiu do Movimento Literatura Urgente, cujo manifesto já falava em bolsas de incentivo à criação literária, e que até motivou uma matéria cala-boca da Veja. Lembro que a questão também foi levada para a FLAP, quando foram convocados o Ademir Assunção e a vereadora Soninha para falar a respeito, e cujas conclusões, apesar de propositivas, pouco tinham de alentadoras. Mas, depois de tanta saliva, agora começaram a aparecer os primeiros frutos.

Este ano já teve o PAC - Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura de SP, que pela primeira vez concedeu bolsas de incentivo à criação literária. Em anos anteriores sempre houve incentivo ao cinema, ao teatro e às artes visuais, mas em 2006 alguém da Secretaria finalmente lembrou que também havia literatura a ser incentivada, junto com o hip-hop, a cultura quilombola e o circo. Não é demais lembrar que este blog divulgou em primeira mão os resultados das bolsas do PAC.

E tem corrido à boca pequena que o Ministério da Cultura e a Petrobras pegaram a carruagem e também vão conceder as suas próprias bolsas de criação literária. A idéia é boa, louvável demais, mas agora precisa ver na prática. Qualquer processo seletivo do MINC tem pré-requisitos como "valorização das expressões da diversidade cultural brasileira" e tropicalismos do gênero. Será que o processo dessas bolsas vai escapar a limitações como essa, que em nada contribuem à literatura de qualidade? Ou será que vai ser mais um veículo para o dirigismo ideológico que "como nunca na história deste país" temos visto tão em prática?

Sou um entusiasta mas também um cético, prefiro ver no que isso vai dar. Em tese o edital da Petrobras sai amanhã, dia 6/12 - e, saindo, quero ser o primeiro a falar mal. Aguardem os próximos capítulos.

Carpe diem.

Último isso do ano

Na madrugada de sábado pra domingo, emendando o casamento, consegui ainda pegar o finzinho da reunião e do amigo-secreto da Academia de Letras, o suficiente para o testemunho abaixo.

consagração do novo presidente da AL

muvuca

parabéns ao Altivo ausente

Alex bad boy

todo mundo

3 de dezembro de 2006

Casamento dos outros é refresco!

Sábado foi o casamento da Dâni e do Sergio Mitsuo, que se conheceram quando foram meus estagiários.

A cerimônia e a festa estavam muito legais, e eu e a Ju adoramos especialmente os déjà vu que tivemos todo o tempo, projetando nos noivos a nossa própria experiência de altar!

O ponto alto da festa foi quando os noivos entraram no salão ao som da marcha imperial do Star Wars. Ah se eu tivesse tido essa idéia... Se bem que a Ju logo avisou que não teria deixado, cáspita!







Ju technicolor




com os noivos, Dâni e Mitsuo - destaque para o figurino samurai do noivo!




turminha: Karina, Fernanda, Cecília, Carol, Adriana e Flávio





Flávio difamado





Dâni reluzente

Sabadoni 011206

O meu testemunho binocular dos fatos:

leitura do Dôni

Marisa e os libretos de São Columbano, padroeiro dos poetas

cantata

panorâmica com Ruy ao fundo

Lançamento TPM

O blogueiro Thiago Ponce de Moraes, vulgo TPM, é nosso amigo do Rio e também membro do Projeto Identidade. Ele está lançando seu livro de estréia, dia 12/12, no Rio, mas aguardamos também um lançamento paulishta do Imp.

Parabéns e sorte com o livro, Ponce!


30 de novembro de 2006

Oficina (e pós-oficina) de palíndromos

início - 11:11
fim - 1:21










até sim a camiseta!







.......o cínico

.......até o professor vil lê papel; livros, se for poeta.









aí é tal platéia

.......- À Ju: fuja!
.......- Acenai, Lilian: E.C.A.!
.......- O Paulo: lua, pó.
.......- Li Victor. Rei? Pierrot? Civil!

.......à farra, Gui viu garrafa
............(skol loks)

......."aí, bebi-a"

.......- Lata no Natal?
.......- Oir bossa, mas sóbrio.

29 de novembro de 2006

Supercoisa

qualquer coisa

coisa alguma

casulo e o livro da fabi faleiros - aí tem coisa

que coisa

coisetes

coisa de gente grande

essa é a coisa


AnaR sorridente depois do emPAC!

Leitura em Diadema

Diadema - sexta-feira - 24/11 - 20h.

Virna Teixeira, Paulo Ferraz, José Geraldo Neres, Fábio Aristimunho e Rose Prado.

Primeira Mostra Internacional de Literatura.

25 de novembro de 2006

Resultado das bolsas de incentivo à criação literária – PAC 12

Finalmente saiu o resultado das bolsas de incentivo à criação literária, da Secretaria de Estado da Cultura, o afamado PAC 12. Cada contemplado leva pra casa o prêmio de R$ 20.165,00 e tem um ano para publicar o livro. Fiquei contente de ter alguns amigos sortudos aí na lista, e agora sei que ano que vem concorro mesmo em infantil!

*

RESULTADO DO PAC 12

Romance:
1. “Estado Vegetativo”, Tiago Novaes Lima
2. “Babel Babilônia”, Nelson Luiz Garcia de Oliveira
3. “Acordados – Romance”, Ana Rüsche
4. “Sylvia não sabe dançar”, Cristiane Tavares Lisboa
5. “A Necropsia do direito”, Rogério Henrique Arvatti da Silva
Suplente: “Te espero o tempo que for – Relato de um amor proibido”, Samir Tomaz

Poesia:
1. “Feito Eu – Poesias”, Elisa M. Nazarian
2. “Sanguínea – Poemas”, Fabiano Antonio Calixto
3. “Paisagens Morais” – Poesia, Fábio Weintraub
4. “A visível cicatriz – Poesia”, Ruy Afonso Proença*
5. “Atrás do osso” - Poemas, Thelma Lúcia Guedes Camelo
Suplentes: “Trânsitos”, Virna Gonçalves Teixeira; “Cidade de Demônios”, Alípio Correia de Franca Neto

Contos e crônicas:
1. “Maldita Terra Estrangeira”, Fernando Antonio Torres Portela
2. “Agora eu conto – Contos”, Andréa Fátima dos Santos (Andréa Del Fuego)
3. “Sedições”, Oscar Angel Cesarotto
4. “Paisagem com neblina”, Eustáquio Teixeira Gomes
5. “Os novos monstros Contos sobre o mundo atual”, Newton Guimarães Cannito,
Suplente: “O livro de Claudinha”, Marcelo Rizzo Mirisola

Juvenil:
1. “O fazedor de velhos”, Rodrigo Lacerda
2. “O vôo da arara azul”, Maria José Rios Peixoto da Silveira Lindoso
3. “Projeto Polo”, Adriana Calabro Orabona
4. “O jovem lê e faz Teatro – Juvenil”, Gabriela Coelho Amadeu
5. “Um Dálmata descontrolado”, Ana Cristina Araújo Ayer de Oliveira
Suplentes: “O Diário de Matheus”, Ismael Caneppele; “Cartas chilenas – recriação para línguagem dos quadrinhos”, Newton Foot

Infantil:
“O Gênero Infantil não teve nenhuma obra com finalidade mínima para ser selecionada pela Comisão Julgadora”, segundo a Ata de Julgamento.

Reportagem, biografia e ensaios:
1. “Geração Balão”, João Gualberto Costa
2. “Os donos da bola”, André Luiz Eugênio Ribeiro
3. “Estética da comunicação visual”, Eduardo Seincman
4. “I want my MTV – pós modernidade e cultura Mc World na televisão brasileira”, Luiza Cristina Lusvarghi
5. “Ensaios sobre literatura brasileira e Portuguesa”, Paulo Elias Allane Franchetti
Suplente: “Estilhaços juvenis – histórias de jovens na cidade de São Paulo”, Willian Âmbar de Novaes.


(*) O autor jura que o título saiu errado; o certo seria "A invisível cicatriz".